GoGlico: um dispositivo para ajudar diabéticos face a perdas repentinas de glicose

Dispositivo criado pela arquitecta Catarina Pires permite corrigir uma hipoglicemia. O GoGlico pode ser transportado de forma amovível junto ao corpo e permite ao diabético praticar qualquer actividade física, nomeadamente no meio aquático

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Austin Schmid/Unsplash

Uma "startup" do Porto criou um dispositivo que permite aos diabéticos corrigir uma hipoglicemia (falta inesperada e repentina de glicose no sangue, que pode levar à morte) de forma rápida e eficaz, em qualquer meio físico. "Graças a este dispositivo, o diabético passa a poder praticar qualquer actividade física, inclusivamente desportos radicais, sempre em segurança" recuperando assim a "autoconfiança e sobretudo um novo sentido de liberdade", indicou à Lusa a fundadora do GoGlico — que é também o nome da "startup" — Catarina Pires.

De acordo com a arquitecta, o equipamento é indicado para os "actuais 365 milhões de diabéticos no mundo", hipotensos e doentes com patologias semelhantes que tenham de recorrer à glicose (açúcar) para corrigir uma hipoglicemia. O GoGlico é transportado de forma amovível, junto ao corpo — de preferência à volta do braço —, permitindo que o utilizador tenha sempre as mãos livres. Contém glicose no seu interior, dentro de uma cápsula que, ao ser ingerida, por simples pressão da boca, permite corrigir a hipoglicemia, "evitando assim riscos para a saúde".

A ideia para a criação do dispositivo surgiu, segundo a própria, de "uma necessidade" que sentiu ao aperceber-se "das limitações que a diabetes provocou" na sua vida. "A medicina conseguiu trazer soluções para corrigir um dos sintomas da diabetes, que são as hiperglicemias (excesso de glicose no sangue), para as quais existe a insulina artificial", não existindo ainda uma opção semelhante para as hipoglicemias, explicou. De acordo com a arquitecta, os únicos recursos hoje em dia para este problema são os pacotes de açúcar, os rebuçados, os sumos ou os refrigerantes com alto teor de açúcar.

No entanto, o uso desses produtos não representa uma "solução efectiva para o problema", devido à impossibilidade de serem adaptados à prática de actividades físicas ou desportivas e nenhum ser passível de ser transportado para dentro da água. Este último factor representa "a maior adversidade para qualquer diabético, pois os açúcares e os rebuçados diluem-se inevitavelmente e os sumos ou refrigerantes não são, seguramente, viáveis" no meio aquático, referiu. Catarina Pires espera ter o produto comercializado, a nível nacional, dentro de dois anos, e dar os primeiros passos para a sua internacionalização e exportação no mesmo período.

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