Andrea Comas/Reuters
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Economia, aceitas casar comigo? Não!

Cada vez mais se vulgariza a crença de que os partidos apenas se preocupam com os seus interesses, deixando de parte os reais problemas dos espanhóis

300 dias passaram. 300 dias que se previam duros, sem rumo, sem orientação e de completa indefinição. No entanto, a teoria nem sempre corresponde à prática e o que se verificou foi precisamente o contrário. A Espanha passou 300 dias sem Governo e a hecatombe que se previa não passou disso mesmo, previsões. Poucos espanhóis se preocuparam com este facto, visto que a economia espanhola apresentou o seu maior crescimento precisamente neste período.

As ruas das cidades espanholas contrastam bastante com a situação política de "nuestros hermanos". Cafés e restaurantes cheios, enchentes de turistas e uma população que reflecte um país próspero, vibrante e movimentado. E se nas ruas se vive uma aparente felicidade, os corredores do poder são o maior antagonismo desse sentimento.

20 de Dezembro e 26 de Junho resultaram em duas eleições inconclusivas, que deixaram o Partido Popular num governo provisório durante estes últimos nove meses. O partido ganhou ambas as eleições, mas em nenhuma delas conseguiu garantir a maioria absoluta.

No entanto, isto é apenas a quinta preocupação na agenda do povo espanhol. A real preocupação continua a ser a taxa de desemprego de 20%, bem como a corrupção e o desapontamento com a classe política que tem gerido o país ao longo destes anos. Cada vez mais se vulgariza a crença de que os partidos apenas se preocupam com os seus interesses, deixando de parte os reais problemas dos espanhóis.

O problema para os governantes? Neste momento, a economia espanhola é uma das que cresce mais rápido na Zona Euro. Prevê-se que cresça 3,1%, o mesmo valor que se previa quando o país tinha um Governo a exercer as suas funções em pleno.

No entanto, estes não são sintomas únicos, o divórcio entre economia e Governo mantém-se quando olhamos para outros casos. A Bélgica detém, actualmente, o recorde europeu de maior número de dias sem governação, foram 541 dias, 15 meses, um ano e 3 meses. Trágico? Muito pelo contrário. Neste período, a economia belga suplantou a de potências como a Alemanha, França, Holanda e até mesmo Suíça.

Mas nem tudo são boas notícias, começando já a aparecer algumas nuvens no horizonte. Os potenciais problemas poderão começar a aparecer em 2017, devido à falta de orçamentos, investimento público ou política fiscal. Estes factores ameaçam contribuir para um clima de incerteza que pode acentuar ainda mais o défice espanhol.

Os governos são de facto decisivos e preponderantes ou este aparente divórcio não passa de uma feliz coincidência? A questão é complexa, mas a realidade é que tanto os 300 como os 541 dias foram bastante mais positivos para espanhóis e belgas, respectivamente, do que os anos anteriores. Para além disto, a classe política continua a ver a sua actuação manchada por polémicas e por uma incapacidade de dar resposta aos problemas do dia-a-dia, o que contribui cada vez mais para que esteja desacreditada aos olhos da população. Resta então saber se o Governo e economia conseguirão “dar o nó” ou se é uma relação condenada ao divórcio?