MoMA cria instituto de investigação de arte latino-americana

Museu de Nova Iorque recebeu doação de quase centena e meia de obras da Colecção Patricia Phelps de Cisneros.

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Relief N.º 30 (1946), de Raúl Lozza (Argentina) DR
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Marquette for an External Wall (1954–65), de Carlos Cruz-Diez (Venezuela) DR
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S/título (1956), de Lygia Pape (Brasil) DR
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Gustavo e Patricia CIsneros no estado de Idaho, EUA, em 2012 KEVORK DJANSEZIAN/AFP PHOTO/GETTY IMAGES

O Museum of Modern Art (MoMA), em Nova Iorque, recebeu uma doação de quase centena e meia de obras de arte contemporânea da América Latina, cortesia da Colecção Patricia Phelps de Cisneros, e simultaneamente anunciou a criação de um instituto de investigação com o nome desta coleccionadora venezuelana, que terá como objectivo o estudo da criação artística sul-americana.

O anúncio foi feito esta segunda-feira, em Nova Iorque, pelo director do MoMA, Glenn D. Lowry, e por Patricia Cisneros. “Esta doação vai mudar a forma como as pessoas vêem os trabalhos da América Latina na sua relação com o modernismo”, disse Lowry, em conferência de imprensa. Por sua vez, Cisneros classificou a criação do novo instituto como a concretização de um projecto no qual a sua fundação vinha trabalhando “desde há quase quatro décadas”.

No comunicado em que anuncia a doação, o MoMA especifica que esta se verificou em dois momentos: primeiro, o museu recebeu quatro dezenas de obras; agora, mais 102, entre pintura, escultura e trabalhos sobre papel realizados entre as décadas de 1940 e 1990, por 37 artistas provenientes de países como Brasil, Venezuela, Uruguai e Argentina. Entre eles, estão nomes cimeiros da arte mundial, como Lygia Clark, Hélio Oiticica, Lygia Pape, Jesus Rafael Soto, Alejandro Otero ou Tomás Maldonado.

Já o Instituto de Investigação de Arte da América Latina, que será dirigido pela própria Patricia de Cisneros, ficará localizado na sede do próprio MoMA, no n.º 11 da Rua 53, em Manhattan.

Creditada como uma das maiores coleccionadoras de arte em todo o mundo desde há duas décadas, Patricia Phelps Cisneros é casada com o empresário também venezuelano Gustavo Cisneros Rendiles. A fundação que ambos criaram, com sede simultaneamente em Caracas e em Nova Iorque, vem acumulando desde o início da década de 1990 um notável acervo de arte latino-americana que remonta às pinturas paisagistas de artistas-viajantes do século XVII.

A Colecção Patricia Phelps de Cisneros tem vindo a promover exposições em vários museus e instituições de arte, entre a América, a Europa e a Ásia, com o objectivo de divulgar a criação e os movimentos artísticos de uma região normalmente ignorada pela historiografia tradicional nesta área.