Candidaturas independentes são um antídoto para abstenção?

“A competição política não-partidária ao nível local (isto é, a presença de listas de grupos de cidadãos) também aumenta a participação", conclui estudo de 2012.

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Daniel Rocha

As candidaturas de independentes terão ajudado a conter a abstenção nas eleições autárquicas, pelo menos até 2009. Essa é uma das constatações de um estudo de 2012 dos investigadores André Freire (ISCTE-IUL), Rodrigo Martins (Universidade de Coimbra) e Manuel Meirinho (ISCSP) sobre a participação nas autárquicas entre 1979 e 2009: “A competição política não-partidária ao nível local (isto é, a presença de listas de grupos de cidadãos) também aumenta a participação (…) e foi uma boa opção.”

Em 1997 e 2001, a abstenção nas autárquicas foi, em ambos os casos, de 39,9%; em 2005 caiu ligeiramente para 39%; e subiu para 41,1% em 2009. A tendência de crescimento desde 1976 é muito mais lenta do que noutro tipo de eleições.

Depois de em 1997 terem passado a ser possíveis também para os municípios – já o eram para as freguesias e para a Presidência da República –, as candidaturas independentes tiveram uma estreia um pouco envergonhada nas autárquicas de 2001. Se em 2001 foram apenas três os municípios conquistados por independentes, em 2013 foram já 13 – entre os quais se conta a emblemática Câmara do Porto. Ainda assim, são 13 em 308, o que faz de Portugal um dos países europeus onde quer a presença quer o sucesso das listas de cidadãos são dos mais baixos em eleições locais, segundo o politólogo André Freire. O crescimento deste fenómeno está relacionado com a crise dos partidos e dos sistemas partidários, a qual, por sua vez, está associada ao crescimento dos sentimentos antipartidários e dos níveis de desconfiança face aos agentes políticos.