O que sabemos sobre os crimes de Aguiar da Beira

Quem é o suspeito, quem foram as duas vítimas mortais do estranho caso de Aguiar da Beira.

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Os crimes aconteceram perto da EN 229 Hugo Santos

A GNR não confirma nenhum alerta de assalto como justificação para a acção de patrulhamento que os dois militares da GNR de Aguiar da Beira fizeram durante a madrugada de terça-feira, na zona industrial daquela localidade, quando foram baleados.

Durante uma rotineira acção de patrulhamento, os dois militares suspeitaram de uma viatura que encontraram estacionada perto de um hotel em construção, o que os levou a solicitar informações sobre a respectiva matrícula. Os criminosos, que estariam a tentar roubar cobre, balearam-nos, provocando a morte de um deles.

De seguida, obrigaram um dos militares a enfiar o outro na bagageira do carro patrulha, e usaram a viatura para abandonar o local. Esta viria a ser encontrada pelos responsáveis do posto territorial de Aguiar da Beira da GNR, que estranhou o silêncio dos dois militares e o facto de a sua viatura estar parada há tanto tempo numa zona isolada, a cerca de cinco quilómetros, na Estrada Nacional 229, que liga Aguiar da Beira e Viseu.

Foi lá que os suspeitos interceptaram um casal para, numa violenta acção de carjacking, lhe roubarem a viatura, baleando ambos. Ele morreu no local, ela foi encaminhada para o hospital, em estado muito grave. De seguida, puseram-se em fuga, em direcção a São Pedro do Sul, para uma zona de serra onde a GNR tem montado esta manhã um fortíssimo dispositivo policial. Pelo caminho ainda balearam outro militar da GNR com uma caçadeira de canos serrados, atingindo-o nas pernas. O estado deste militar não inspira grandes cuidados médicos.

O principal suspeito

Chama-se Pedro João Pinho Dias, tem 44 anos e é natural de Angola, escreve o Jornal de Notícias, que o aponta como filho único de um engenheiro e de uma professora. O Correio da Manhã acrescenta que terá tido treino militar na África do Sul. Divorciado, com uma filha, manteria agora um relacionamento amoroso com uma professora de Sátão. O pai reside em Arouca, onde detém uma exploração de madeira. A sua identificação terá sido possível porque Pedro Dias deixou a sua carteira, contendo a carta de condução, no local do crime, estando por esclarecer quantos cúmplices estariam com ele no assalto e nos homicídios que se lhe seguiram. A sua namorada terá sido ontem interrogada pelas autoridades. Pedro Dias terá sido proprietário de uma empresa de produção animal, mas estava já referenciado pelas autoridades por furtos anteriores.

O militar morto

Carlos Caetano, de 29 anos, era natural de Aguiar da Beira, e vivia na Quinta das Lameiras, a poucos metros do local onde foi baleado. Solteiro, o Jornal de Notícias conta que se mudara de casa dos pais há cerca de um mês para viver com a namorada. Tinha um irmão mais velho, emigrado na Suíça, e uma irmã de 13 anos. Os vizinhos descrevem-no como alguém muito dedicado à família e bom cozinheiro. O Correio da Manhã conta que estava há nove anos na GNR.

O ferido

António Ferreira, de 41 anos, reside em Sezures, Penalva do Castelo, seguia com Carlos Caetano na acção de patrulhamento e foi igualmente baleado, mas o seu estado de saúde era apontado como “estável” pelos responsáveis do Hospital de S. Teotónio, em Viseu, onde deu entrada com um traumatismo crânio-encefálico. Foi deixado no local, na zona industrial de Aguiar da Beira, algemado, segundo o Jornal de Notícias. A SIC conta esta manhã que terá sido ele a explicar à Polícia Judiciária que foi obrigado pelos criminosos a meter o colega Carlos Caetano na bagageira da viatura militar em que se deslocavam.

O casal

O casal apanhado na fuga dos criminosos, que os mandaram parar para ficarem com a sua viatura, um Volskwagen Passat azul, eram Luís Pinto, de 29 anos, e Liliane Mara Pinto, de 26. Ele, tesoureiro na Junta de Freguesia de Palhais e construtor civil, morreu no local na sequência dos ferimentos de bala. Ela seguiu para o Hospital de Viseu, onde foi submetida a uma intervenção cirúrgica por causa do traumatismo crânio-encefálico causado pelas balas.

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