Hospital de Alepo atacado pela terceira vez

Regime usa bombas perfurantes contra instalações médicas que funcionam no subsolo.

Hospital de Alepo após o segundo ataque, no sábado. Esta segunda-feira, foi de novo alvo
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Hospital de Alepo após o segundo ataque, no sábado. Esta segunda-feira, foi de novo alvo Abdalrhman Ismail/Reuters

O mais importante hospital de Alepo foi atacado esta segunda-feira pela terceira vez em menos de uma semana, enquanto outro hospital em Hama foi também atacado pela aviação síria.

O regime de Bashar al-Assad e a Rússia, sua aliada, foram já acusados de crimes de guerra por atacarem intencionalmente centros médicos. A lei humanitária internacional obriga à protecção destes locais.

Muitos localizam-se debaixo da terra, para não serem alvos, mas o regime tem usado bombas anti-bunker, capazes de perfurar e destruir infraestruturas subterrâneas.

A cada ataque, o hospital da parte oriental de Alepo, ocupada pelos rebeldes, cercada e bombardeada pelo regime, tem sido obrigado a fechar e levar os feridos para outros locais. Funcionários vão depois reparar equipamentos – hoje, na altura do ataque, não havia doentes nem feridos, mas pessoal a fazer estas reparações, diz a organização não-governamental Médicos pelos Direitos Humanos, com sede nos EUA, que gere o hospital.

Relatos iniciais davam conta de três mortes e mais pessoas que estavam ainda sob os escombros. Os poucos médicos que resistem nesta parte da cidade vão sendo cada vez menos: de 35 na semana passada para 30 esta semana, diz a emissora norte-americana ABC.

Já em Hama, as bombas perfurantes atingiram um outro hospital, que segundo a Reuters funcionava em instalações escavadas numa rocha sob uma montanha. Parte dos 17 metros de rocha conseguiram suportar o ataque da aviação síria e russa, dizem os grupos da oposição que o gerem, segundo a Reuters. Ninguém foi ferido dentro da estrutura central, mas a parte mais perto da entrada – a ala de emergência – ficou danificada.

Às acusações de países como a França e os EUA de que estão a cometer crimes de guerra na Síria, em Moscovo e Damasco dizem estar apenas a atingir militantes. Na semana passada, questionado por jornalistas à margem de uma sessão na ONU sobre se era responsável por um dos ataques ao hospital, o ministro sírio dos Negócios Estrangeiros, Bashar al Jaafari, riu-se.