Obras no Saldanha deitam árvores abaixo apesar das promessas em contrário

A Plataforma em Defesa das Árvores questiona a decisão da Câmara de Lisboa, que há três meses tinha garantido que nenhuma tipuana seria abatida. A autarquia justifica o abate com o "mau estado fitossanitário".

A imagem do abate foi recolhida durante esta sexta-feira
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A imagem do abate foi recolhida durante esta sexta-feira DR

As árvores tipuanas, de copa amplas e densas que enchiam a Praça do Saldanha, em Lisboa, foram, esta sexta-feira, abatidas. A denúncia é feita pela Plataforma em Defesa das Árvores, que questiona a legalidade da decisão do vereador responsável pelo pelouro da Reabilitação Urbana, Manuel Salgado.

De acordo com os documentos disponibilizados pelo grupo ambiental, a 1 de Julho deste ano, o vereador da Câmara Municipal de Lisboa comprometeu-se a não abater nenhuma árvore e a transplantar duas das árvores que estavam no centro do Saldanha.

“No que concerne ao projecto da nova praça do Saldanha e por força de alteração da geometria da ligação da Avenida Casal Ribeiro à futura rotunda do Saldanha, está previsto que das 26 tipuanas existentes, duas sejam transplantadas, sendo o local da sua replantação determinado após a avaliação resultante da vistoria da Direcção Municipal de Estrutura Verde, Ambiente e Energia, estando previsto que a mesma venha a ocorrer na nova Praça do Saldanha”, pode ler-se no documento que Manuel Salgado assinou na altura.

Nele, o autarca detalha que "todas as outras árvores existentes na Praça Duque de Saldanha (tipuanas) serão mantidas, sendo ainda plantadas nesta área mais 69 árvores novas das seguintes espécies: jacaranda-mimoso, coreutéria, pereira-de-jardim, cerejeira-brava, plátano e tipuan".

Confrontados com as imagens do abate de tipuanas durante esta sexta-feira, os membros do grupo vieram exigir uma prova de que houve uma autorização escrita do presidente da Câmara de Lisboa a concordar com o desaparecimento das árvores em questão. Os cidadãos e as associações ambientalistas que formam o colectivo sublinham, em comunicado, o seu “profundo desapontamento pelo vil abate” e dizem aguardar uma resposta do gabinete de Manuel Salgado.

Entretanto a Câmara de Lisboa emitiu um esclarecimento sobre a situação ocorrida esta sexta-feira na Praça do Saldanha. Nele a autarquia informa que "os serviços dos Espaços Verdes" concluíram, "quando foram fazer as vistorias necessárias ao transplante das duas tipuanas", que o seu transplante "seria completamente inviável".

Segundo a câmara, essa conclusão foi alcançada "atendendo ao mau estado fitossanitário" de uma das árvores e "à acentuada degradação" da outra. Face a essa realidade, sustenta-se, as duas tipuanas "teriam que ser abatidas e plantadas duas novas tipuanas". 

No esclarecimento o município salienta que "todas as outras árvores existentes na Praça Duque de Saldanha serão mantidas, sendo ainda plantadas nesta área mais 69 árvores novas das seguintes espécies: jacarandá-mimoso, coreutéria, pereira-de-jardim, cerejeira-brava, plátano e tipuana". A câmara presidida por Fernando Medina destaca ainda que "a preservação e incremento das árvores existentes no local foi uma das principais linhas do projeto para a requalificação do Eixo Central", estando prevista "a plantação de 741 novas árvores".