Dois terços das barragens no Alentejo têm a reserva de água abaixo dos 50%

Situações extremas observam-se nas barragem do Monte da Rocha (17.8%), Vigia (20,9%), Roxo (21,9%) e Pego do Altar (23,9%). Alqueva apresenta quase 80% da sua reserva de água.

Foto
Enric Vives-Rubio

A seca prolongada que persiste na maior parte da região alentejana associada aos baixos índices de pluviosidade ao longo dos últimos dois anos conduziram no início do segundo semestre de 2016 à escassez ou à ausência de água em pequenas barragens e charcas, sobretudo no Baixo Alentejo. Quando o Verão se aproxima do seu termo, os efeitos da seca reflectem-se agora na acentuada redução nos níveis de armazenamento das barragens de média dimensão.

Das 27 barragens públicas localizadas na região, apenas duas apresentam a sua capacidade de armazenamento acima dos 80%: Enxoé (Serpa) com 87,7% e Apartadura (Marvão) com 90%. Já oito têm um volume de água entre os 50% e os 80% e em 17 a reserva é inferior a 50%.

Os dados relativos ao mês de Agosto publicados pelo Serviço Nacional de Informação de Recursos Hídricos (SNIRH) referem que a bacia do Sado, onde se concentram 10 barragens de pequena e média dimensão que suportam a actividade agrícola e o abastecimento público de água, é a que regista os índices mais baixos de armazenamento de todo o país. Alvito (45.8%), Campilhas (36.8%), Fonte Serne (36.2%), Monte da Rocha (17.8%), Odivelas (33.1%), Pego do Altar (23.9%), Roxo (21.9%) e Vale do Gaio (39.6%). Níveis superiores a 50% só se observam nas barragens de Monte Gato (69.6%) e Miguéis (52.7%) mas a sua capacidade de armazenamento é muito baixa (596 e 539 metros cúbicos respectivamente).

O nível de armazenamento da barragem do Monte da Rocha (17,8%) é o que suscita, neste momento, mais apreensões. E traz à memória a seca registada em 2005. Por ter uma albufeira muito plana, quando esta sofre uma acentuada redução a água aquece muito facilmente com o calor, diminuindo a taxa de oxigenação, pormenor que provocou naquele ano a morte de toneladas de peixe.

Se a situação actual persistir pode vir a colocar problemas ao abastecimento público. É a partir da albufeira do Monte da Rocha, situada no concelho de Ourique, que sai a água consumida em Castro Verde, Ourique e Almodôvar. Em breve deverão arrancar as empreitadas para levar a água desta barragem a parte da zona interior do concelho de Odemira e uma vasta área da margem direita do Guadiana, no concelho de Mértola.

Seguem-se com baixos níveis de armazenamento as barragens de Abrilongo (37.3%), Beliche (41.7%), Caia (46.5%), Monte Novo (44.2%), Odeleite (49.6%) e Vigia (20.9%) na bacia do Guadiana. Alqueva apresenta um volume de água de 79,3% e só a barragem do Enxoé, destinada ao abastecimento do consumo humano dos concelhos de Serpa e Mértola, apresenta um volume de 87,7% no seu armazenamento.

A situação melhora na bacia hidrográfica do Tejo onde apenas três barragens situadas na região Alentejo apresentam um armazenamento inferior a 50%: Divor (25.1%), Magos (46.1%) e Póvoa (49.8%).

As barragens do Maranhão (62.5%), Minutos (67.1%) e Montargil (71.7%) têm uma reserva de água que não coloca limitações à actividade agrícola.  

Mais a sul, na barragem de Santa Clara (67.4%) na bacia hidrográfica do Mira está assegurado o abastecimento de água ao regadio dos 12 mil hectares do perímetro de rega do Mira.

No final de Agosto, as 27 barragens alentejanas tinham uma reserva de água de 1032 milhões de metros cúbicos, quando a sua capacidade máxima de armazenamento é de 2022 milhões. Com Alqueva, a capacidade máxima de armazenamento no Alentejo sobe para os 6172 milhões. Neste momento a reserva de água na região é de 5314 milhões.     

A norte do Tejo, as albufeiras públicas apresentam caudais mais satisfatórios. Apenas duas barragens apresentam caudais inferiores a 50%. A esmagadora maioria (19) tem uma reserva de água entre os 50%e os 80% e seis têm um volume acima dos 80%.  

O SNIRH acentua que os armazenamentos de Agosto de 2016 por bacia hidrográfica apresentam-se superiores às médias de armazenamento de Agosto (1990/91 a 2014/15) “excepto para as bacias do Sado, Guadiana e Mira”.