Ao longo dos quatro dias, os participantes irão percorrer o jardim de ouvidos abertos Lisboa Soa/ DR
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Ao longo dos quatro dias, os participantes irão percorrer o jardim de ouvidos abertos Lisboa Soa/ DR

“Lisboa Soa” convida a descobrir uma nova forma de ouvir a cidade

O encontro, de quinta a domingo, terá a participação de artistas nacionais e internacionais que irão explorar a arte sonora, o urbanismo e a cultura auditiva

Desta quinta-feira, dia 1, a domingo, 4 de Setembro, no Jardim da Tapada das Necessidades, em Lisboa, o sentido da audição será explorado nas suas mais diversas vertentes. O encontro “Lisboa Soa” pretende criar um espaço sonoro e, através da arte, incentivar as pessoas a escutarem os sons da cidade.

A primeira edição do evento irá contar com instalações, performances, concertos, passeios sonoros, "workshops" e mesas-redondas. A tentativa de fugir um pouco à ideia dos festivais de Verão levou os organizadores a pensar numa programação diferente e a optarem por caracterizá-la como um encontro, porque a intenção, explica a investigadora e autora do conceito do evento, Raquel Castro, é tornar o ambiente “mais familiar, ecológico e inclusivo”. Para os organizadores, essa aproximação facilita a criação de uma rede de pessoas interessadas nesta área.

A presença do som será imprescindível para todas as obras apresentadas durante o "Lisboa Soa". Mas, por que razão? Para Raquel, existe uma necessidade de questionarmos o ambiente sonoro que ocorre à nossa volta e também de incentivar a ouvir melhor: “A arte sonora é uma boa forma de fazer o público interagir com o som de uma forma mais lúdica e também ao mesmo tempo pedagógica, geradora de conhecimento”. Além disso, complementa: “O planeamento das cidades não tem em conta a acústica e a qualidade da paisagem sonora e isso é uma coisa que afecta a nossa vida. Portanto, é importante alertar as pessoas para o facto de estamos permanentemente rodeados de som”.

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Um dos destaques é o veterano japonês Aki Suzuki DR

Ao longo dos quatro dias, os participantes irão percorrer o jardim de ouvidos abertos e poderão escutar os pássaros, o vento nas folhas, os lagos, os sons da ponte 25 de Abril e até os barcos que passam no Tejo, uma mistura do lado biológico e urbano.

A programação engloba artistas internacionais e nacionais. Um dos destaques é o veterano japonês, Aki Suzuki, considerado um dos pioneiros na arte sonora, que se apresenta logo no primeiro dia (quinta-feira), às 20h00. Também estará presente a americana Camille Norment, que em formato de trio, exibirá a sua performance com um design sonoro minimalista e multissensorial, no dia 2 de Setembro, às 19h30. Entre os artistas portugueses, fazem parte das actividades Rafael Toral (dia 3, às 19h), João Bento (dia 4, a partir das 10h00), Rudolfo Quintas (no mesmo dia, às 18h45), entre outros.

O “Lisboa Soa”, encontro de arte sonora, urbanismo e cultura auditiva, é totalmente gratuito e compõe o Festival “Lisboa na Rua”, organizado pela Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural de Lisboa (EGEAC), entre os dias 25 de agosto e 1 de Outubro.