Torne-se perito

Câmara de Albufeira quer impedir aquacultura junto ao porto de abrigo

Em causa está o pedido de instalação de uma exploração privada em águas costeiras.

A autarquia, revela que aprovou, por unanimidade, uma moção para travar a instalação da unidade
Foto
A autarquia aprovou, por unanimidade, uma moção para travar a instalação da unidade Virgilio Rodrigues

O presidente da Câmara de Albufeira quer impedir a instalação de uma unidade de produção de ostras e vieiras em aquacultura, junto ao porto de abrigo, por considerar que prejudica os pescadores e apenas beneficia interesses particulares.

Em causa está o pedido de instalação de uma exploração privada em águas costeiras, com a dimensão de dois hectares, a 7,3 quilómetros do porto de abrigo da cidade, que Carlos Silva e Sousa considera que irá prejudicar "os pescadores, as empresas marítimo-turísticas e a acessibilidade ao porto de abrigo e à marina de Albufeira".

Em comunicado, a autarquia adianta que esta semana aprovou, por unanimidade, uma moção para travar a instalação da unidade, deliberação que foi depois endereçada ao Governo, à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve e à capitania do porto de Portimão.

No documento, a Câmara manifesta a sua oposição ao projecto e refere que a exploração "contraria manifestamente o interesse público, beneficiando, em exclusivo, interesses particulares", e lembra que o interesse público nesta zona "está estabelecido de forma milenar a favor dos pescadores".

De acordo com a autarquia, trata-se, na sua maioria, de profissionais de pesca artesanal que operam a partir do porto de Albufeira e dos portos vizinhos, "o que representa o sustento de muitas famílias, além de que os pescados são de grande qualidade e representam enorme importância nos valores da gastronomia com impacto nas nossas tradições e actividade turística".

O presidente da Câmara acredita ainda que a exploração vai interferir com o livre usufruto do mar por pescadores e por empresas marítimo-turísticas, as quais já representam "um volume de negócios considerável e são geradoras de emprego".

Citado no comunicado, Carlos Silva e Sousa salientou ainda que "esta é uma zona de intenso tráfego marítimo, também com muitas embarcações particulares", pelo que a unidade iria "condicionar o acesso ao porto de abrigo e à marina de Albufeira", afectando a circulação de embarcações.

O pedido para a instalação da unidade, apresentado à Direcção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos, esteve em consulta pública até 12 de agosto.

Sugerir correcção