Incêndio em convento de Elvas não põe em risco futuro hotel

Nuno Mocinha, presidente da Câmara de Elvas, afirmou à Lusa que o incêndio não afectou estruturalmente o edifício.

O incêndio ocorreu dois depois da assinatura
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O incêndio ocorreu dois depois da assinatura do memorando para recuperação do imóvel DR

O presidente da Câmara de Elvas, Nuno Mocinha, disse esta terça-feira que o incêndio ocorrido este mês no Convento de S. Paulo não afectou estruturalmente o edifício, nem coloca em causa a sua transformação em hotel.

"A parte que ardeu não põe em causa o projecto de investimento que está a concurso para o convento. Obviamente, lamentamos o incêndio, mas o edifício não foi afectado estruturalmente", explicou à agência Lusa o autarca.

O Convento de S. Paulo, em Elvas, classificado como Património da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), foi o primeiro de 30 imóveis do Estado a ser colocado a concurso para concessionar a privados, no âmbito do programa governamental  Valorização do Património.

O programa está a ser desenvolvido pelos ministérios da Economia, da Cultura e das Finanças, para concessionar a privados esses imóveis históricos degradados, para que sejam recuperados e acolham projectos diferenciadores.

O memorando de entendimento sobre a recuperação do Convento de São Paulo, propriedade do Ministério da Defesa e cedido à Câmara de Elvas, foi assinado a 3 de Agosto, na cidade alentejana, estando previsto que o edifício seja transformado numa unidade hoteleira.

Dois dias depois dessa cerimónia, a 5 de Agosto, o convento foi assolado por um incêndio que afectou parte do edifício, e Nuno Mocinha (PS) revelou esta terça-feira já dispor de "informações da Polícia Judiciária" de que se tratou "de fogo posto".

"A minha convicção inicial era a de que havia 'mão criminosa', porque o edifício estava devoluto e encontrava-se limpo e fechado. Entretanto, a Polícia Judiciária já me confirmou que foi fogo posto e foram recolhidos indícios no local que apontavam para essa hipótese ", sublinhou.

Antes de serem extintas pelos bombeiros, as chamas "atingiram um telhado e um segundo e um primeiro andar, mas apenas de uma ala do edifício", pelo que o incêndio "não coloca em risco o projecto de investimento".

"Ardeu um bom bocado, mas, dada a grandeza do edifício, foi apenas uma pequena parte", afirmou, frisando que "o anseio" da Câmara é o de que "o concurso para a concessão do edifício chegue ao fim, que se apresente alguém para fazer o hotel e que o faça".

O concurso decorre "até meados de Outubro" e "já há algumas empresas que se manifestaram curiosas em relação ao sítio e ao edifício", disse o presidente da Câmara, acrescentando acreditar no interesse de investidores.

"Estou convencido de que vão surgir propostas. É bom lembrar que Elvas é Património Mundial e, neste momento, está necessitada de um equipamento hoteleiro daquelas características", assumiu.

Para tranquilizar potenciais investidores sobre o estado do edifício após o fogo, o município pretende que seja publicado em Diário da República (DR) um relatório elaborado pela Direcção Regional de Cultura do Alentejo e pela Protecção Civil local.

"O relatório, que queremos que seja publicado em DR, determina que, se o projecto da unidade hoteleira não for por diante, devem ser tomadas algumas medidas de precaução para não colocar em risco o edifício, por causa do inverno", explicou.

Essas eventuais medidas são da responsabilidade da Câmara, mas esta, primeiro, vai aguardar pelo término do concurso: "Primeiro, temos de ver qual o resultado do concurso", porque este obriga a que os investidores "apresentem um pré-projecto e digam quando e o que se propõem a fazer", indicou.