Torne-se perito

Phelps iniciou um novo ciclo de ouro para o Team USA

Depois do quarteto feminino dos estilos ter chegado aos mil títulos olímpicos, a “Bala de Baltimore” fechou a sua carreira (até ver) com o 1001.º no Rio de Janeiro.

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Michael Phelps naquela que terá sido a sua última prova olímpica Michael Dalder/Reuters

Como o que mais contribuiu para a pilha, talvez fosse justiça poética e simbólica que fosse Michael Phelps a conquistar a 1000.ª medalha de ouro para os EUA nos Jogos Olímpicos. Foi por pouco. Alguns minutos antes, a estafeta feminina de 4x100m estilos já o tinha feito. Mas também acaba por ser simbólico que seja Phelps, na última final olímpica da sua carreira (pelo menos é o que ele diz), a contribuir para o início de um novo milhar de medalhas de ouro para o Team USA. Phelps, mais Ryan Murphy, Cody Miller e Nathan Adrian, formaram o quarteto que conquistou o 1001.º ouro nos 4x100m estilos, prova que fechou a natação em piscina nos Jogos do Rio. Nesta prova Ryan Murphy acabou por bater o recorde do mundo dos 100m costas (só possível no primeiro dos quatro percursos), com 51,85s.

Apesar de haver algumas polémicas entre historiadores e estatísticos sobre quantas medalhas conquistaram os norte-americanos nos Jogos Olímpicos, a diferença seria de apenas uma medalha, e Phelps poderá ter contribuído para a 999.ª, a 1000.º ou a 1001.ª, mas a versão oficial é que foi mesmo a primeira de um segundo milhar. Neste final de carreira literalmente fechado a ouro, Phelps teve uma contribuição decisiva para a medalha, recuperando o comando da final para os EUA com o seu percurso de mariposa, depois de um segmento de bruços em que o britânico Adam Peaty fez juz ao seu estatuto de campeão olímpico desta especialidade.

Depois de Phelps, Nathan Adrian fechou a estafeta norte-americana, que juntou um novo recorde olímpico (3m27,95s), batendo a Grã-Bretanha (prata) e a Austrália (Bronze). Para a “Bala de Baltimore”, esta foi, até ver, a sua última noite olímpica com a sua 28.º medalha (e 23.ª de ouro), mais uma para dificultar ainda mais quem esteja a pensar em bater o recorde dos recordes – em termos de percentagem, Phelps conquistou, ou contribuiu para a conquista, de 2,3% das 1001 medalhas de ouro.

Esta foi, ainda, a última das 16 medalhas de ouro para os EUA na natação olímpica do Rio de Janeiro, um domínio absolutamente esmagador e complementado com mais oito de prata e nove de bronze – a última vez que tal não aconteceu foi em Seul 1988, em que o medalheiro da natação teve a RDA na frente. Nesta lista seguem-se Austrália e Hungria, com três medalhas de ouro, sendo que todos os títulos húngaros foram conquistados pela “dama de ferro” Katinka Hosszu.

Quem conquistou a medalha 1000 acabou por ser o quarteto feminino dos 4x100m estilos que integrou outra figura da competição olímpica de natação. Simone Manuel, campeã dos 100m livres, fechou a final para o Team USA que conquistou o ouro, com Kathleen Baker, Lilly King e Dana Volmer, uma boa consolação para a final dos 50m livres que tinha perdido minutos antes. Atrás ficaram Austrália (prata) e Dinamarca (bronze).

Nos 50m livres femininos, Simone Manuel não conseguiu, por pouco, fazer a dupla de ouro no sprint. Numa prova decidida por centésimos, a dinamarquesa Pernille Blume ficou com o ouro, nadando o comprimento da piscina em 24,07s, apenas menos 0,02s que a norte-americana, que vencera os 100m livres. Aliaksandra Herasimenia, da Bielorrússia, ficou com o terceiro lugar (24,11s), enquanto a holandesa Ranomi Kromowidjojo, campeã de 2012, não fez melhor que um sexto lugar, entre as irmãs australianas Bronte e Cate Campbell. Esta era também a penúltima oportunidade de o Brasil ganhar uma medalha na natação olímpica, mas nem com o apoio do público Etiene Medeiros escapou ao último lugar (a estafeta final fez ligeiramente melhor, sétimo).

À prova mais curta das mulheres, seguiu-se a corrida mais longa dos homens e não houve qualquer emoção. O italiano Gregorio Paltrinieri só não passou à frente na viragem dos 50 e dos 100 metros e dominou como quis a prova de 1500m livres, juntando o título olímpico ao de campeão mundial. O italiano de 21 anos ficou ainda relativamente longe do recorde obtido pelo chinês Sun Yang em Londres 2012 (14m31,02s), mas fez mais que suficiente (14m34,57s) para bater a concorrência do norte-americano Connor Jaeger, que repetiu a prata dos últimos Jogos Olímpicos. O bronze foi para outro italiano, Gabriele Deti, naquela que foi a sua segunda medalha nestes Jogos – também ganhou bronze nos 400m livres.

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