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O estado do calçado depois do Neopop DR
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A fã n.º 1 do Neopop que também é a fã n.º 1 de Portugal

A espanhola Tatiana Dahlerus não é apenas a fã n.º 1 do Neopop, também é de Portugal. Desde 2009 que, com o seu namorado, não perde uma edição do festival de música electrónica em Viana do Castelo — "É como a festa de aniversário de namoro". Encontro marcado de 4 a 6 de Agosto no Forte Santiago da Barra

"Conheci o Neopop porque tinha um amigo, o Sérgio, que hoje é meu namorado, que tinha uma casa de Verão em La Guardia. Ele vai desde a segunda edição, ainda era AntiPop, e estava sempre a falar do festival. Fui pela primeira vez em 2009 à quarta edição, a primeira como Neopop, e comprovei que era verdade. Tenho ido sempre.

Na verdade, o Neopop é como a nossa festa de aniversário de namoro. No início ficávamos em La Guardia, mas agora ficamos em Viana. Adoro, adoro. É que além de fãs n.º1 do Neopop, somos fãs n.º1 de Portugal. Estamos sempre em Portugal.

A nível de preços, Portugal é incrível. Em Espanha é impensável ter estes preços num festival. Também é verdade que em Espanha os 'fees' dos DJ são mais altos — os promotores sugam. O Gustavo [Pereira, um dos organizadores], que eu acabei por conhecer, é um óptimo embaixador. Anda sempre pelo festival, a cumprimentar as pessoas, e percebe-se que tem muito bom trato com os artistas. Os 'fees' não são iguais aos de Espanha, mas os artistas adoram ir e voltam. Para mim, a cena da música electrónica está a perder um pouco a essência, os artistas só tocam por dinheiro, e o Neopop ainda mantém esse lado mais genuíno e os artistas ficam impressionados.

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Sérgio e Tatiana DR

Costumo dizer que em Portugal há cultura musical; em Espanha há cultura de festa. Em Portugal, tem-se cuidado com os destalhes, o visual, o som; em Espanha, o som é a última coisa que têm em conta, prestam-lhe pouca atenção. Também a nível de produção musical há muito boa música, coisas diferentes. Em Espanha também há artistas com muito nível, mas não sabem vender o seu produto.

Acho mesmo que Espanha não tem o nível que tem Portugal nesse campo. Conheço a cena da música electrónica em Portugal desde 1998 porque tinha um namorado que era DJ. Ia muito ao Algarve, ao Porto, ao Rocks, à Indústria, ao Lux, à Locomia (por acaso ao Kadok não fui muito) e a cena portuguesa sempre esteve muito à frente. Já nessa altura os 'line-ups' tinham muito nível. Há muita gente que cá pensa que Portugal está em crise, mas Portugal está muito mais à frente do que Espanha em muitos aspectos culturais, como arquitectura, música, arte. Outra coisa que não gosto quando saio à noite em Madrid é o público. Não há cor, parecem zombies.

Gosto de música electrónica, mas não gosto de qualquer festival. Sempre fui muito esquisita, dizem-me muitas vezes que sou radical. Não vou ao Sonar, ao Primavera fui duas vezes mas está mais massifcado, vou ao Neopop. Porque é único. Tem muitas coisas boas. A localização é óptima, é um festival pequeno, não é massivo, e há muita atenção aos pormenores. O som é incrível, as campanhas de comunicação também. Podiam ter mudado de sítio ou de tamanho com os anos, mas não. Gosto muito que mantenham a essência e a magia de não se mudarem. No entanto, todos os anos notas que fizeram melhorias. Não é um festival a que vás e seja sempre o mesmo, surpreendem sempre com algo novo. Para nós já é uma tradição, é um momento emocionante: chegar, ver as novidades, recordar todos os momentos passados.

Nestes últimos anos, o cartaz é mais comercial, têm vindo o Richie Hawtin, o Carl Cox, que são artistas que já não gosto tanto (já ouvi tantas vezes!), mas percebo que para o festival ser atractivo ao público em geral tem de ter estes nomes. Mas a verdade é que podes gostar mais ou menos do 'line-up', mas vais lá e é mágico, o som entra no corpo.

Este ano gosto muito do primeiro dia [quinta-feira], mas só vou conseguir ir a partir de sexta. Gostava muito de ver Maya Jane Coles, John Talabot e, apesar de apesar de não gostar muito de high techno (sou muito mais melódica), o Oscar Mulero, que é meu amigo. Nos outros dias, Etienne Jaumet, Fatima Al Qadiri e Lewis Fautzi que é da mesma 'label' do Oscar Mulero [Faut Section, criada pelo português Lewis Fautzi]. Também gosto muito disso, que apoiem o produto nacional — por exemplo, os Ruuar tocam no mesmo dia. E, claro, Digweed, Matador também é bom, Antigone e apetece-me muito ver Polar Inertia.

Claro que gosto de Richie Hawtin e de Carl Cox, mas há novos talentos muito bons. Gosto muito do palco AntiStage, é o meu preferido, porque é para novos talentos, pode-se descobrir novas coisas. Hoje em dia é preciso ter artistas de primeira linha para vender bilhetes, mas penso que se podem fazer coisas muito boas com artistas não tão conhecidos.

Começo a notar que há cada vez mais estrangeiros. No ano passado notei que havia muitos franceses e holandeses e, claro, espanhóis. Todos os anos trazemos mais gente. Mal chegamos a Espanha começamos a falar do Neopop — temos amigos que vêm de Madrid com 15 pessoas. Todos os anos conhecemos gente muito boa e vou embora com amizades novas. E mal termina uma edição ficamos a contar os dias para a próxima."