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Megafone

3Pês: Wild Beasts retomam guitarras e sensualidades pop

Promo, Palco e Pista: os 3Pês de António Barroso. Sugestões musicais para este fim-de-semana, de 21 a 24 de Julho

Ao quinto regressa-se ao primeiro e ao segundo. A sequência não é de Fibonacci, mas parece resultar com os australianos Wild Beasts, que em 2009 deram um "kick" na pop (enquanto composição e não como género de mercado) mais alternativa. No primeiro estão ainda os australianos Flyying Colours, mas já carregam online como se não houvesse amanhã. E num amanhã qualquer haverá disco(s) dos portugueses David from Scotland e Malibu Gas Statiom.

Promo

Sensualidade, melodias pop, bpm’s em velocidade “qb” para sincopar vontades das que vibram, tudo isto é promessa do quinto disco dos ingleses Wild Beasts, “Boy King”, que estará disponível a 5 de Agosto. “Celestial Creatures”, “Get My Bang” e “Big Cat” levantaram a cortina do trabalho com que a banda pretende libertar-se de “Present Tense” (2014) e “Smother” (2011), mais introspectivos e conceptuais do que “Two Dancers” (2009), uma deliciosa “estalada” na pop deste século, de que foi exemplo o single “Hooting & Howling”.

Entre as novidades da semana, nota para os australianos Flyying Colours, que estão, finalmente, preparados para lançar o seu primeiro longa-duração, depois de dois EP’s que fizeram salivar a malta do shoegaze e das ondas mais psicadélicas do rock. Vai chamar-se “Mindfulness”, sairá em Setembro, e carrega originais como a amostra “It’s Tomorrow Now”. De “Roygbiv” (2015), “Running Late” e “Not Today” são dois bons exemplos do que se espera destas gentes de Melbourne.

Cá pelo cantinho lusitano, David From Scotland e Malibu Gas Station são duas propostas novíssimas, com base no Porto, mas cruzadas pela inspiração comum a David Félix e Vítor Pinto, que “soltaram” para audições prévias “Neon Nymph” (do projecto mais pessoal David From Scotland), “China Blue” e “Ellie Parker” (ambas dos Malibu Gas Station). Há álbuns na forja, sem prazo, e onde estes aperitivos mais electrónicos se encontrarão com sonoridades pop-rock estilo "madchester". A coisa promete!

Tal como promete o enésimo álbum do escocês King Creosote, “Astronaut Meets Appleman”, a avaliar pela amostra “You Just Want”. Há toda uma declaração de intenções do compositor, que acasala tecnologias com violas e violoncelos, harpas e gaitas de foles. Não se espere, porém, um xim-pó-pó world. É música de câmara pop-rock e soa a modernidade por todos os poros.

Palco

Na sexta, pelas 22h00, proponho uma passagem pel’O Meu Mercedes É Maior Que o Teu (Ribeira do Porto) para assistir ao concerto de The Twist Connection. São de Coimbra, apresentam-se este ano e carregam experiência suficiente para sacudir o que se faz por aí. Samuel Silva na guitarra (The Jack Shits, Los Saguaros, Sonic Reverends), Tiago Coelho no baixo (Speeding Bullets) e Carlos Mendes na voz e bateria (Tédio Boys, Wraygunn, Bunnyranch e Parkinsons) chegam com inspiração variada: blues, rockabilly, soul, 60’s, garage, pop, psych, punk-rock, pós-punk e new wave.

Sábado, no Coliseu portuense, há um momento de veterania a não perder: o guitarrista John McLaughlin, norte-americano que teve a ousadia de “electrizar” o jazz, mas com a bênção de Miles Davis. Virtuoso na guitarra e liberto de conceitos, deu-lhe mais groove, r’n’b, rock e uns laivos da Índia. Tem 70 anos, 50 de palcos e só por isso vale a pena, que a arqueologia não é pequena.

Vamos esticar isto até domingo (21h00), que na Casa da Música (Porto) actuará o quarteto de Branford Marsalis (já leva 30 anos de jazz), com Kurt Elling convidado para dar voz a uma série de novos temas da banda, assinados por todos os seus membros.

Pista

Esta quinta, no Passos Manuel (Porto), Emmy Curl veste a pele de dj e aposta numa selecção de veraneio: soul, rock, funk e trip-hop, diz o folheto, que apela à boa disposição.

Sexta, na mesma cidade, mas no Breyner85, é noite para a oitava Indie Sessions, “curada” pelo Fino António, que estará acompanhado pelo Nuno Nobre. Que é como quem diz, são gente que sabe o que escolhe no inesgotável cabaz da música alternativa, apesar de ser noite dedicada à Factory Records.