Assim é a segunda parte de Como Água para Chocolate

A mexicana Laura Esquivel deu continuidade ao seu popular romance, quase 30 anos depois. E não fica por aqui – El Diario de Tita é o segundo volume de uma trilogia que fica concluída em 2017.

<i>El Diario de Tita</i> está cheio de fotografias, ilustrações e flores secas
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El Diario de Tita está cheio de fotografias, ilustrações e flores secas DR
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Lumi Cavazos é Tita de la Garza na adaptação ao cinema dirigida por Alfonso Arau (1992) DR

Precisava de envelhecer para regressar a Como Água para Chocolate, disse a escritora Laura Esquivel ao diário espanhol El País, numa conversa recente em Madrid, a propósito de El Diario de Tita, o título que vem dar continuidade ao seu popular romance, a obra de estreia da autora mexicana, lançado há já quase 30 anos.

Este volume, editado pela Suma de Letras e que chegou às livrarias em Maio, é também o segundo de uma trilogia que a autora pretende terminar no ano que vem, com Mi Negro Pasado, o volume que trará a trágica história de Tita de la Garza para a actualidade.

Como Água para Chocolate, obra que vendeu sete milhões de cópias, acompanha o percurso de uma mulher, Tita, nos anos da Revolução Mexicana (1910-1917). Uma mulher que luta contra uma tradição que a empurra para uma vida solitária – todos esperavam que a filha mais nova da família ficasse solteira para que pudesse cuidar da mãe até à sua morte – e que encontra na culinária um território de liberdade, em que pode dar largas a toda a sua sensualidade e capacidade criativa, a todas as suas emoções.

Apaixonada pelo vizinho Pedro e impedida de com ele ficar por obediência à mãe, a austera Mamá Elena, Tita acaba por vê-lo casar com uma das suas irmãs mais velhas, Rosaura, embora saiba que ele só a aceitou para ficar mais perto dela. Neste intrincado romance, em que Pedro e Tita acabam por não se separar verdadeiramente, há um sobrinho que morre prematuramente, um médico apaixonado e muita comida à mistura (Tita herdou o seu amor pela culinária de Nacha, a cozinheira da família a quem ela tratava como se fosse sua mãe).

“Através de O Diario de Tita vamos ficar a saber o que se passou nos 20 anos perdidos que não são contados na história original” - adaptada ao cinema pelo realizador Alfonso Arau em 1992 com grande sucesso de bilheteiras - disse Esquivel aos jornalistas quando a obra chegou às livrarias.

Para escrever O Diario de Tita, explicou a autora mexicana que também é deputada, Laura Esquivel baseou-se no diário que pertenceu à sua tia-avó, a mesma mulher que inspirou Tita de la Garza. Esse diário sobreviveu a um incêndio e acabou por ir parar às mãos da escritora, que nele descobriu fotografias, receitas, flores, apontamentos de uma intimidade que, de certa forma, agora partilha com os seus leitores. O Diario de Tita é, aliás, escrito como se de um diário verdadeiro se tratasse, com muitos apontamentos “manuscritos”, ilustrações e recortes.

O livro tem por narradora María, a tataraneta de Rosaura e Pedro. Na última parte desta trilogia, María será a protagonista, uma mulher que, diz Esquivel, tem peso a mais, come compulsivamente e, ao contrário de Tita, não sabe fazer nada na cozinha.

María é mais uma personagem trágica, como quase todas as ligadas aos De la Garza. Em Mi Negro Pasado poderemos ficar a saber em que circunstâncias foi abandonada pelo marido depois de dar à luz um bebé negro – um bebé que ele julgava ser fruto de uma infidelidade mas que, na realidade, é seu filho. É que Laura Esquivel, 65 anos, parece ter decidido "fazer justiça" à Tita de Como Água para Chocolate expondo nesta obra que fecha a trilogia um amor clandestino de Mamá Elena.

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