Politécnicos consideram oportuno apelo para alternativas à praxe

Os dirigentes do ensino superior têm "procurado encontrar as ditas alternativas para uma boa integração dos estudantes".

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A carta aberta é subscrita por uma centena de personalidades da sociedade portuguesa Bruno Lisita (arquivo)

O presidente dos institutos politécnicos considerou esta terça-feira "bom" e "oportuno" o apelo lançado por 100 personalidades para criar "uma alternativa" à praxe, mas sublinhou que os dirigentes do ensino superior já têm essa preocupação, para evitar excessos.

Numa carta aberta, os subscritores pedem aos dirigentes das instituições do ensino superior que criem, "com carácter duradouro, actividades de recepção e de integração dos novos estudantes e das novas estudantes [...] que configurem uma alternativa lúdica e formativa às iniciativas promovidas pelos grupos e organizações de praxe".

Comentando à agência Lusa o apelo feito na missiva, o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, Joaquim Mourato, disse que "é oportuno", porque acontece perto do início de um novo ano e de novas colocações.

"É bom haver uma carta que serve, no fundo, como alerta. Contudo, enquanto dirigente de uma instituição de ensino superior, devo dizer que temos tido essa preocupação", afirmou Joaquim Mourato.

Segundo o presidente dos politécnicos, as preocupações levantadas na carta têm sido vividas pelos dirigentes do ensino superior, que têm "procurado encontrar as ditas alternativas para uma boa integração dos estudantes". "Temos boas práticas nas diferentes instituições de ensino superior" para evitar "os excessos" que por vezes acontecem nas praxes académicas, disse. O objectivo é que "esses abusos não existam" e que existam "boas práticas de integração".

Joaquim Mourato considerou "sempre bom este alerta vindo da sociedade, para as instituições", que é "essencialmente um recado para os estudantes" e "uma lembrança para os dirigentes". "Contudo, penso que nenhum dirigente de uma instituição de ensino superior ignore as praxes académicas e a preocupação que possam levantar", sustentou.

Questionado pela Lusa sobre se os estudantes aceitam bem as alternativas propostas pelas instituições, Joaquim Mourato disse que o diálogo é "condição essencial" para que isso aconteça. "É fundamental que os dirigentes das instituições tenham um diálogo muito aberto e contínuo como as associações de estudantes e com quem dirige essas praxes académicas", explicou.

É no momento de planeamento das actividades, "com total abertura e com o acompanhamento contínuo por parte dos dirigentes das instituições, que tudo pode acontecer com maior normalidade, a bem dos estudantes e da sua integração", frisou. "Quando isso acontece, a probabilidade de tudo correr bem é muito elevada", rematou.

Entre os subscritores da carta, denominada Integração no ensino superior: a democracia faz-se de alternativas, encontram-se o professor universitário José Adelino Maltez, o militar de Abril Vasco Lourenço, os escritores Luísa Costa Gomes e Miguel Sousa Tavares, os deputados Paula Teixeira da Cruz (PSD), Alexandre Quintanilha (PS), Teresa Caeiro (CDS-PP), André Silva (PAN) e o antigo ministro da Saúde António Arnaut, entre outros.

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