Marcelo partilhou na Madeira a fé ilimitada no futuro de Portugal

Visita do Presidente da República à Madeira serviu para reforçar o apoio de Belém às autonomias políticas.

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José Manuel Coelho aproveitou presença do chefe de Estado para mais um gesto “criativo”, agora com bandeira do Estado Islâmico GREGÓRIO CUNHA/LUSA

Foi para assinalar os 40 anos de autonomia política nos Açores e na Madeira que o Presidente da República se associou esta sexta-feira, no Funchal, às celebrações do Dia da Região. E a defesa da autonomia ocupou grande parte das intervenções que fez durante o dia.

Primeiro, na sessão solene no parlamento madeirense — onde fez por ignorar a “criatividade” do deputado José Manuel Coelho, que desfraldou uma bandeira do autodenominado Estado Islâmico —, Marcelo Rebelo de Sousa definiu a autonomia como uma “síntese particularmente feliz” de como conciliar a unidade do Estado com os interesses regionais.

“A Madeira pode vir a ser, se os madeirenses o quiserem, um exemplo de luta consistente pelo progresso e justiça social que o continente deve observar com espírito de partilha e solidariedade”, disse, para mais à frente apontar o arquipélago como um “exemplo” para o resto do país em termos de diálogo e construção social. É por isso que, tanto no Funchal como em Lisboa, o Presidente Marcelo tem “fé no futuro”.

Mais tarde, já na Quinta Vigia, onde almoçou com o presidente do governo madeirense, Miguel Albuquerque, o chefe de Estado voltaria a projectar o país no futuro, não por mero “optimismo”, mas sim pela “fé ilimitada” que tem na capacidade dos portugueses. “Nós podemos acreditar no futuro de Portugal, e é tão bom poder acreditar num futuro melhor do que o presente e do que o passado”, referiu, depois de ouvir Albuquerque pedir o fim dos “preconceitos” de Lisboa contra as regiões autónomas. A Madeira, garantiu Albuquerque, não quer dádivas nem favores, apenas os instrumentos necessários para o desenvolvimento regional. Instrumentos, precisou, que passam pela revisão do Estatuto Político-Administrativo e da consequente revisão da Constituição, porque realidades diferentes exigem soluções diferentes.

Uma palavra também para os lesados do Banif. O chefe de Estado começou a intervenção na assembleia madeirense com uma palavra para os que temem perder as poupanças por força das “vicissitudes” dos sistemas financeiros. Sem nunca precisar o caso do banco que tinha forte implantação na Madeira, Marcelo demonstrou solidariedade para com os que estão a viver estas indefinições.

Teve depois oportunidade de dizê-lo pessoalmente, ao ser abordado por uma mulher que assistia à cerimónia de deposição de flores no Monumento à Autonomia, na Baixa do Funchal. Susan Silva aproximou-se do Presidente e, com desespero na voz, disse que já pensava no suicídio. “Não faça isso! Não faça isso!”, respondeu Marcelo, prometendo interceder junto do Santander.

Aos jornalistas, a mulher contou que já tinha batido a todas as portas. Falou com o primeiro-ministro, com Miguel Albuquerque. Escreveu ao Banco de Portugal e à CMVM. Nada. “Já não sei o que fazer”, desabafou, com o Presidente já distante.

Marcelo teve um dia preenchido. Entre a sessão solene, o almoço na Quinta Vigia, onde Alberto João Jardim apareceu com elogios a Costa e Marcelo e críticas a Passos Coelho, o Presidente plantou uma árvore e ainda participou na imposição de insígnias, em que o ex-jornalista do PÚBLICO Tolentino Mendonça e a antiga correspondente do DN na Madeira Lília Bernardes foram homenageados pela região, a título póstumo.

Na véspera, houve futebol. O chefe de Estado interrompeu um jantar com o representante para a República na Madeira, para ir festejar com cidadãos que assistiam, junto ao Palácio de São Lourenço, ao jogo de Portugal num ecrã gigante. Gritava-se “Portugal!”, passou a gritar-se “Marcelo!”.

A visita termina este sábado, no Porto Santo, onde o Presidente inaugura um hotel e um espaço evocativo do cineasta Jorge Brum do Canto.