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Megafone

3Pês: a frescura francesa dos Pégase e o psicadelismo dos Exploded View

Promo, Palco e Pista: os 3Pês de António Barroso. Sugestões musicais para este fim-de-semana, de 30 de Junho a 2 de Julho

Pégase refresca-nos, Laura Veirs, k.d. lang e Neko Case amadurecem-nos e Exploded View dá-nos alma. Três propostas em disco, a que junto os novos singles de Cass McCombs, Angel Olsen e Drowse. E muito português em palco e aos comandos das pistas.

Promo

O duo francês Pégase (Raphael d’Hervez e Ana Benabdelkarim) editou, há dias, um dos mais refrescantes trabalhos longa-duração do corrente ano: “Another World”, o segundo após a estreia, com registo homónimo em 2014. Sem reservas quanto ao uso do inglês como canto universal, ouve-se e degusta-se com prazeres múltiplos graças às várias influências, da electro-pop de finais os 80 ao dream-pop deste século. “Same Flame”, “Cyann” e “Be Wild” são exemplos de um trabalho todo ele muito equilibrado e a comprovar a clara tendência da "nouvelle vague" do pop-rock francês, com expoentes em Woodkid, John & Jehn, Lescop e Kid Wise.

Do outro lado do Atlântico, a maturidade musical forjou um trio que, apesar das colaborações contantes entre si, entendeu ser altura de fazer matéria. Estou a falar de duas norte-americanas (Laura Veirs e Neko Case) e uma canadiana (k.d. lang), que editaram há dias o seu primeiro disco conjunto, intitulado “case/lang/veirs”. “Atomic Number” e “Greens of June” são dois bons exemplos da elegância das composições, sujeitas — e ainda bem! — às harmonias destas três vozes.

Para o título de debutantes do ano concorrem os Exploded View, liderados pela alemã — mas do mundo — Anika (Annika Henderson), que contam ainda com Martin Thulin (produtor dos Crocodiles), Hugo Quezada (Robota) e Hector Melgarejo (Jessy Bulbo) na restante composição, da qual resultou o álbum de estreia “No More Parties in The Attic”, tema-título que, tal como “Orlando”, vai deliciar orelhas mais abertas ao psicadelismo e indie-rock.

Outra das apostas do ano é Drowse, projecto de Kyle Bates, sediado em Portland (EUA), de que “Break” é primeira amostra de “Memory Bed”, o EP que se segue a “Soon Asleep” (2014), trabalhos que atiram para uma estética shoegaze bastante melódica, hipnótica e alguma ansiedade. É para ficar atento ao que aí vem, já no próximo mês.

Novidades são, ainda, “Run Sister Run”, o primeiro single de “Mangy Love” (Agosto), novo álbum de Cass McCombs, o nono desde “A” (2003), e “Shut Up Kiss Me”, de Angel Olsen, que antecede “My Woman” (Setembro).

Palco

O cancioneiro português, guitarras e um naipe de convidados que é gente que leva a música portuguesa a patamares de qualidade, independentemente do género. “Duo” é proposta do guitarrista Carlos Araújo para esta quinta-feira, no Passos Manuel (Porto, 22h30), que terá ao seu lado Sérgio Castro, Fernando Nascimento, António Pinto, Rui Varejão, Peixe (Ornatos Violeta) e Rão Kyao, para um espectáculo conceptual, de alma lusa, mas com viagens por estéticas como o manouche e o flamenco.

Sexta-feira, no Armazém do Chá (Porto), os Bang Bang Romance apresentam o seu estreante “Mel o’Drama”, no qual se espera a mesma energia que tem transbordado dos pequenos palcos por onde têm passado.

No mesmo dia, no Teatro Aveirense, e sábado, no Theatro Circo, em Braga, Rodrigo Amarante, ainda a “Cavalo” (2014), termina uma minidigressão em Portugal, antes de rumar a Barcelona e Nova Iorque.

Também sábado, às 22h, no Rivoli, no Porto, actuam os gregos mohammad, que farão ecoar baixas frequências, intermodulações, texturas negras e raízes do folclore helénico. Espera-se muito experimentalismo em palco e alguma transcendência auditiva.

Nota ainda para a segunda edição do Piquenique Dançante Sobre a Relva, na Casa das Artes (Porto), entre as 11h e as 20h de sábado. Entre tartes, quiches, groselhas e bolas de carne (é levar de casa, por isso é que é piquenique), o ambiente bucólico em torno da Casa Allen serve de estrado a André Carneiro, Desligado, Gariny Detours, O Incrível Homem Bomba, Palace Mémoire, The Wild Booze e Plácido Vaz & os Kriol’Arte.

Pista

Bye Bye Polónia” é noite extra no Pherrugem (Porto), esta quinta-feira. A selecção de Miguel Pinto Cunha, feita com "oldies" e "sangue novo" com mais rock do que pop servirá para celebrar a qualificação ou expiar mágoas da eliminação da selecção portuguesa de futebol, isto no que toca ao famoso "meio fininho" após o jogo do Euro2016, que a música também serve para estas coisas.

Na mesma noite, no Lux (Lisboa), os planos passam pela “RA In Residence at LuxFrágil w/ Petre Inspirescu x Barac x Eli Verveine x Rui Vargas x Yen Sung”, um momento de celebração da “club culture”, depois de passagem por Chicago, Paris e Offenbach.

Sábado, ainda numa onda mais electrónica, o Indústria (Porto) faz soar o duo de dj Fauvrelle e Serginho, enquanto o Roterdão (Lisboa) propõe noitada em modo “party people dê lá por onde der” com Puto & Pico, dupla de dj do Porto responsável por perdas acentuadas de calorias em pista coberta.