nova criação de Victor Hugo Pontes vai ser apresentada no palco do Teatro Camões Bruno Simão/ CNB
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nova criação de Victor Hugo Pontes vai ser apresentada no palco do Teatro Camões Bruno Simão/ CNB

“Carnaval” de Victor Hugo Pontes é um “cadáver esquisito” em palco

Coreografia inspira-se na obra musical "O Carnaval dos Animais", composta em 1886, e conta com a participação de 12 compositores portugueses contemporâneos

O espectáculo "Carnaval", com coreografia de Victor Hugo Pontes e música criada a partir da obra de Camille Saint-Saëns, por 12 compositores portugueses, é estreado pela Companhia Nacional de Bailado a 16 de Junho, no Teatro Camões, em Lisboa.

De acordo com a Companhia Nacional de Bailado (CNB), a nova criação de Victor Hugo Pontes vai ser apresentada no palco do Teatro Camões, de 16 a 26 de Junho, e no Rivoli — Teatro Municipal do Porto, a 1 e 2 de Julho. A nova criação coreográfica — a primeira colaboração de Victor Hugo Pontes para a CNB — vai estar povoada de figuras ligadas ao Carnaval, tendo, no seu centro, "os animais, as máscaras e a morte".

Inspirada na obra musical "O Carnaval dos Animais", composta em 1886 por Camille Saint-Saëns (1835-1921), o espectáculo conta com a participação de 12 compositores portugueses contemporâneos: Sérgio Azevedo, Carlos Caires, Eurico Carrapatoso, Andreia Pinto Correia, Nuno Côrte-Real, Pedro Faria Gomes, Mário Laginha, João Madureira, Carlos Marecos, Daniel Schvetz, Luís Tinoco e António Pinho Vargas.

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Peça é uma reflexão sobre o significado simbólico, cristão e pagão, do Carnaval Bruno Simão/ CNB

"Uma das peculiaridades desta obra é o facto de se apropriar de peças de outros compositores e de peças anteriores do mesmo autor, as quais são revisitadas num tom 'parodístico' e mascaradas com nomes de animais", explica o coreógrafo, numa nota de imprensa da CNB sobre o novo trabalho, que será interpretado pelos bailarinos da companhia.

Os compositores foram desafiados a compor um tema original associado aos catorze movimentos musicais de "O Carnaval dos Animais", aplicando uma outra técnica artística que esteve em voga no século XX, o 'cádaver esquisito', celebrizada pelos surrealistas. "Ou seja, em Carnaval, cada um dos compositores convidados iniciará a sua composição no final do tema anterior, levando-a até ao tema seguinte", indica o criador, nascido em Guimarães, em 1978, e, desde 2009, director artístico da Nome Própio — Associação Cultural com sede no Porto.

Nesta obra, Victor Hugo Pontes reflete sobre o significado simbólico, cristão e pagão, do Carnaval: "Enquanto manifestação burlesca, há uma clara aproximação às questões mais fundamentais colocadas pelo teatro e pela dança, por exemplo — a máscara, a mentira, o fingimento, a peripécia, a cumplicidade da assistência, naquilo que todos sabem ser um jogo".

O autor da coreografia evoca ainda os outros significados cristãos do Carnaval, ligados ao sacrifício, à abstinência, ao jejum, "de rituais para celebração da vida terrena, mundana, numa progressiva aproximação à morte, evocada a partir da Quarta-Feira de Cinzas e até ao Domingo da Ressurreição".

"Carnaval" tem figurinos de Aleksandar Protic, desenho de luz de Wilma Moutinho, e interpretação musical da Orquestra Sinfónica Portuguesa, com direcção musical de Cesário Costa.

O ensaio geral solidário está previsto para dia 15 de Junho, no Teatro Camões, às 21h00, revertendo a receita a favor da BUS — Bens de Utilidade Social, do Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil, da Fundação Champagnat — Casa da Criança de Tires e da Fundação Assistência Médica Internacional.