Manuel Alegre é o vencedor do XXI Grande Prémio de Literatura dst

Bairro Ocidental foi o livro escolhido pelo júri por unanimidade.

Manuel Alegre recebeu recentemente o Grande Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (APE) e o Prémio Consagração de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA).
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Manuel Alegre recebeu recentemente o Grande Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (APE) e o Prémio Consagração de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA). Nuno ferreira Santos

Manuel Alegre é o vencedor "por unanimidade" do XXI Grande Prémio de Literatura dst com a obra Bairro Ocidental publicada pela Dom Quixote.

O júri, constituído por Vítor Aguiar Silva, Carlos Mendes de Sousa e José Manuel Mendes classificou Manuel Alegre como “um dos mais celebrados poetas portugueses contemporâneos” e escolheu esta obra porque nela encontrou “o reerguer de uma voz de protesto e de indignação, um retrato inconformado da Pátria e das ditaduras que nos governam, designadamente a dos mercados, com evidentes pontos de contacto com Praça da Canção, um dos livros mais celebrados de autor".

Bairro Ocidental dá a Manuel Alegre este prémio literário no valor de 15 mil euros, pouco tempo depois de lhe terem sido atribuídos o Grande Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (APE) e o Prémio Consagração de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA).

O Grande Prémio de Literatura dst tem um funcionamento rotativo premiando num ano uma obra de prosa e, no seguinte, uma obra de poesia. Na edição de 2016 registou um recorde de participações e em anteriores edições distinguiu escritores como Luísa Costa Gomes, Mário de Carvalho, Nuno Júdice, Jacinto Lucas Pires, entre outros. Nesta edição teve para além de Bairro Ocidental, os seguintes livros finalistas: O Tempo é Renda, de Isabel Mendes Ferreira; Mirleos, de João Miguel Fernandes Jorge; A Misericórdia dos Mercados, de Luís Filipe Castro Mendes; O Vidro, de Luís Quintais.

Manuel Alegre nasceu a 12 de Maio de 1936, em Águeda, tendo estudado Direito na Universidade de Coimbra. É um dos rostos mais conhecidos da luta contra a ditadura em Portugal e uma das vozes mais críticas da guerra colonial, tendo mesmo sido preso pela polícia politica (PIDE).

Em 1964 passou à clandestinidade partindo pouco depois para o exílio, convertendo-se num dos símbolos de resistência e liberdade ao escrever obras como Praça da Canção e O canto e as armas, ambas proibidas pela censura.

Depois do 25 de Abril de 1974 regressou a Portugal e ingressou no Partido Socialista, pelo qual foi, até 2009, deputado à Assembleia da República. Foi ainda, em 2005 e 2011, candidato à presidência da República.

O Prémio dst será entregue ao poeta no próximo dia 1 de Julho, em Braga, no decorrer de mais uma edição da Feira do Livro daquela cidade.