Costa diz que referência ao seu "optimismo crónico" tem a ver com aposta antiga

Enquanto aluno, o actual primeiro-ministro apostou que a melhor nota que iria ter no curso de Direito seria dada por Marcelo Rebelo de Sousa. E foi.

António Costa
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Costa esteve reunido com os autarcas do distrito de Viana do Castelo Nuno Ferreira Santos

O secretário-geral do PS afirmou esta sexta-feira que a referência do Presidente da República ao seu "optimismo crónico" e "ligeiramente irritante" vem do tempo em que foi aluno de Marcelo Rebelo de Sousa e lhe ganhou uma aposta.

António Costa falava aos jornalistas após ter votado no primeiro dia das eleições directas para o cargo de secretário-geral do PS, numa das mesas da Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL).

No Porto, na quinta-feira, o Presidente da República referiu-se ao "optimismo crónico e às vezes um pouco irritante" do primeiro-ministro, aconselhando-o a ter os pés bem assentes no chão.

Confrontado com estas afirmações proferidas pelo chefe de Estado, António Costa começou por frisar que tem com o actual Presidente da República "uma relação muito antiga", tendo sido seu aluno na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, e defendeu que Marcelo Rebelo de Sousa estava nesse momento "a gracejar".

"Creio que essa figura tem a ver com uma história já muito antiga, em que apostei que a melhor nota que teria no curso seria ele [Marcelo Rebelo de Sousa] a dar-me - e eu ganhei a aposta. Foi a melhor nota que tive e, pronto, isso diz tudo não só sobre a confiança, mas também em relação à forma como nos temos relacionado ao longo dos anos", respondeu o líder socialista.

António Costa disse ainda que no desempenho das funções de primeiro-ministro e de Presidente da República "há obviamente respeito institucional".

"Pela minha parte, tenho a máxima consideração pelo Presidente da República, mas compreendo que, enfim, tendo em conta uma relação pessoal antiga, o senhor Presidente da República tivesse querido gracejar em torno da nossa atitude, aliás partilhando do meu optimismo", sustentou.

Numa mensagem política, o secretário-geral do PS defendeu então que "ser optimista não é desconhecer as dificuldades, mas não nos deixarmos vencer pelas dificuldades e, sobretudo, termos confiança de que as dificuldades são possíveis de enfrentar e de resolver".

"Quem está no Governo tem o dever de incutir essa confiança ao conjunto dos cidadãos, porque é evidente que o país tem muitas dificuldades - não vou agora repetir o que disse durante quatro anos de oposição -, mas tenho a certeza que os portugueses saberão vencer esta crise. E há bons sinais nesse sentido", acrescentou, numa nova nota de optimismo.