“A área reservada ao eucalipto não pode aumentar mais”, apela associação Zero

Estima-se que os eucaliptos ocupem em Portugal uma área de 850 mil hectares.

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O eucalipto aparece em primeiro lugar na área ocupada. Segue-se o sobreiro e o pinheiro bravo enric vives-rubio

Impedir o aumento da área de eucalipto em Portugal, inclusive nas ilhas, minimizar os impactes sobre a biodiversidade e o solo, e promover as espécies autóctones — concedendo, por exemplo, benefícios fiscais a quem plantar autóctones de crescimento lento. Estas são algumas das ideias defendidas pela Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável.

Em comunicado, nesta quinta-feira, a associação sustenta que “a área reservada ao eucalipto não pode aumentar mais”.

Em 2010 havia cerca de 812 mil hectares de eucalipto em Portugal continental. Segundo o último Inventário Florestal Nacional, o eucalipto (dominado pela espécie Eucalyptus globulus) era mesmo a principal ocupação florestal, tendo aumentado 13% entre 1995 e 2010. Já o sobreiro era a segunda espécie (737 mil), seguido do pinheiro bravo (714 mil hectares).

No total, e ao longo do período em análise, as áreas de floresta registaram uma descida de 3,3 milhões de hectares para pouco mais do que 3,1 milhões, mostra ainda o Inventário Florestal Nacional.

A actual Estratégia Nacional para as Florestas, prossegue a Zero, num comunicado que vem na sequência de uma audição pública organizada pelo grupo parlamentar do Partido Ecologista “Os Verdes”, a 26 de Abril, “contém já a indicação de que a área total ocupada pelo eucalipto se manterá inalterada nos próximos anos, a qual é actualmente estimada em cerca de 850 mil hectares”.

Mas a associação defende que o Governo deve garantir vários aspectos, quando fizer a prometida revisão do Regime Jurídico Aplicável às Acções de Arborização e Rearborização. Desde logo que “existe um regime de quota para a espécie". Mais: e necessário "definir e adoptar medidas de discriminação positiva a favor das espécies autóctones de crescimento lento, no sentido de corrigir as falhas de mercado, sendo de ponderar a possibilidade de se calcular a perda de rendimento relativa à utilização de espécies autóctones de crescimento lento em detrimento do eucalipto".

A Zero diz que o Governo deve assegurar também que “é salvaguardada a compartimentação da floresta em projectos de (re)arborização com eucalipto ou pinheiro-bravo, de modo a reduzir o risco de propagação de incêndio e promover a diversidade de espécies, entre outros aspectos, através da conservação, manutenção ou criação de corredores de vegetação ribeirinha com recurso a folhosas autóctones”.

As metas dos Planos Regionais de Ordenamento Florestal devem igualmente ser revistas, diz a associação, “conferindo-lhes carácter obrigatório, e não apenas indicativo como acontece actualmente”.

A associação sugere por fim que a investigação feita nesta área dê prioridade, entre outros, ao controlo de espécies exóticas invasoras e ao estudo de diferentes métodos de preparação dos terrenos.