Promotora do Marés Vivas avança judicialmente contra movimento cívico

A PEV Entertainment define como "guerrilha" a iniciativa do movimento cívico S.O.S. Estuário do Douro. Os ambientalistas estão a contactar os artistas do festival para que lá não actuem, em defesa do estuário.

O Festival Marés Vivas realiza-se no Verão e teve no ano passado 90 mil espectadores em três dias
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A promotora já tem um parecer positivo do Ministério do Ambiente para a realização do festival naquele local. Paulo Pimenta

A relocalização do Festival Marés Vivas tem gerado muitos conflitos. Na passada quarta-feira, um movimento cívico anunciou que iria continuar a criticar, agora junto dos artistas, a realização do festival no Vale de Sampaio, paredes meias com a Reserva Natural Local do Estuário do Douro. Nesta quinta-feira foi a vez de Jorge Lopes, da PEV Entertainment, anunciar que a promotora do festival está a avançar com um processo judicial contra alguns elementos do movimento cívico S.O.S. Estuário do Douro.

O movimento emitiu um comunicado, na sua página de facebook, a anunciar que iria estabelecer contactos com os artistas, e respectivos agentes, que fossem cantar no Marés Vivas, pedindo-lhes que não actuassem naquele local. Serafim Riem, um dos membros integrantes do movimento, define a reserva do Estuário do Douro como “a menina dos olhos tanto para as pessoas do Porto como as de Gaia”. Os membros deste movimento cívico visam proteger a zona do estuário e do Vale de Sampaio que, apesar de não estar abrangido pela Reserva Natural, alberga cerca de 220 espécies de aves que “há 15 anos não existiam lá, só se viam gaivotas”.

“Se o festival acontecer ali, no Vale de Sampaio, para onde é que as aves podem fugir? Para o telhado da Câmara Municipal de Gaia?”, questiona Serafim Riem. O movimento terá tido uma breve reunião com o autarca Eduardo Vítor Rodrigues, que “não se mostrou nada flexível”. Esta reunião foi pedida antes de avançarem “com qualquer acção”, por “uma questão de bom-senso”, explica o ambientalista. Terão apresentado outras hipóteses de locais de realização para o festival, como o Areinho de Avintes, mas para o movimento o ideal era que o Marés Vivas se realizasse no estádio municipal, em Oliveira do Douro. “O presidente da Câmara de Gaia quer transformar aquela zona num festivalódromo”, acusou, referindo-se à criação de um parque urbano, anunciado em Dezembro do ano passado, e que o autarca considera ser "um importante espaço de lazer para a cidade e para a própria Área Metropolitana".

Após o anúncio de que seriam contactados os artistas e patrocinadores do festival, a PEV Entertainment, promotora do Marés Vivas, classificou as acções do movimento cívico como sendo “terroristas” e “de guerrilha”. Em declarações ao PÚBLICO, Jorge Lopes, da PEV, garantiu que o Ministério do Ambiente emitiu um parecer positivo relativamente à localização do festival Marés Vivas naquele local.

“Chegámos a convidar os elementos deste movimento a integrarem a comissão do Ministério do Ambiente que foi criada propositadamente para avaliar o impacto do festival na zona do estuário, e eles recusaram”, adiantou Jorge Lopes. O responsável adiantou ainda que, durante uma reunião com os ambientalistas, houve “insinuações e ameaças veladas” para além de um “conjunto de exigências”.

Vários cidadãos independentes defendem, há anos, a integração do Vale de Sampaio na Reserva Natural Local do Estuário do Douro e a localização do festival naquele espaço, encostado aos 60 hectares da reserva, poderá comprometer a “crescente biodiversidade do Rio Douro”, assegurou Serafim Riem.

Do outro lado, a PEV Entertainment contrapõe com o parecer do Ministério do Ambiente e a posição da Câmara de Gaia, favorável à localização do Marés Vivas. E com um processo judicial contra alguns elementos do movimento pelas atitudes “de perseguição e tentativa de difamação do Festival Marés Vivas”.

Texto editado por Ana Fernandes

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