Uma embaixada mediterrânica, e outra do Leste da Europa, no FMM Sines

Do egípcio Islam Chipsy às ucranianas Dakh Daughters, mais oito motivos de festa entre 22 e 30 de Julho, na 18.ª edição do festival.

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SYLVAIN GELINEAU
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Partida do Magrebe, chegada ao Báltico, passando pelo Levante e subindo o Cáucaso: é (também) para estas coordenadas que aponta a 18.ª edição do FMM Sines 2016, agora que oito novos nomes se juntam no cartaz às visitas dos britânicos Billy Bragg, The Comet Is Coming e The Unthanks, e à extensa embaixada latino-americana já confirmada (com os colombianos Alibombo, Los Pirañas e Systema Solar, os brasileiros Bixiga 70, BNegão & Seletores de Frequência e Graveola, e a argentina Juana Molina).

Também é extensa a embaixada magrebina que o festival anunciou esta quarta-feira. Inclui, além dos já familiares Islam Chipsy & E.E.K. – o teclista parcialmente responsável pelo revival da música de raiz proletária do Egipto da segunda metade do século XX, entretanto rebaptizada electro-chaabi, que já esteve entre nós em Outubro passado acompanhado dos seus virtuosos bateristas –, o percussionista tunisino Imed Alibi, navegando entre Ocidente e Oriente, entre ritmos sufis e a tradição berbere, e o regresso a Sines do rocker argelino (e mestre do alaúde eléctrico) Mehdi Haddab, com o projecto Speed Caravan. Será um concerto sob outra influência poderosa, a do Senegal: o novo disco do grupo, que será lançado em Abril, anuncia-se contaminado pelo sabar e pelo mbalax.

Continuando a viagem para Leste, o festival que decorre de 22 a 30 de Julho entre Porto Covo e Sines receberá também o cantor, compositor e multi-instrumentista franco-libanês Bachar Mar-Khalifé, obrigado pela guerra a exilar-se em Paris, onde já se cruzou com a Orquestra Nacional de França e o Ensemble Intercontemporain. Outra experiência dolorosa, a difícil fronteira entre a Arménia e a Turquia será cruzada pelo duo Vardan Hovanissian & Emre Gültekin (o primeiro, arménio, toca duduk, um instrumento de sopro que é símbolo nacional; o segundo, turco, divide-se entre três instrumentos de cordas), militantemente comprometido com a superação, cem anos depois, das feridas do genocídio de 1915. Também vindo do Cáucaso, e dando continuidade a uma das mais ricas tradições polifónicas do mundo, consagrada Património Imaterial da Humanidade, estará no festival o quarteto vocal Alaverdi.

Mais a Norte, o FMM Sines vai à Ucrânia buscar as Dakh Daughters, grupo de actrizes nascidas no teatro Dakh de Kiev que amadureceu o seu espectáculo num cabaret parisiense; e à Estónia recrutar os Trad.Attack!, que com o disco de estreia lançado em 2015, Ah, receberam alguns dos mais importantes prémios de música do seu país.