Filme expõe comportamentos xenófobos em relação à etnia cigana DR
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Filme expõe comportamentos xenófobos em relação à etnia cigana DR

“Balada de um batráquio”: os ciganos de Leonor Teles vão ao festival de Hong Kong

Filme de Leonor Teles que ganhou Urso de Berlim em Fevereiro vai concorrer agora no mais antigo festival de cinema da Ásia

O filme de Leonor Teles "Balada de um batráquio" está seleccionado para a competição de curtas-metragens do Festival Internacional de Cinema de Hong Kong, que se inicia esta segunda-feira, depois de em Fevereiro ter sido premiado em Berlim.

O filme expõe comportamentos xenófobos em relação a membros da etnia cigana em Portugal, abordando a prática de colocar sapos de cerâmica em lojas, cafés e restaurantes para afastar os ciganos, que têm várias superstições ligadas ao animal. A curta-metragem venceu, a 20 de Fevereiro, o Urso de Ouro da competição de curtas-metragens do Festival Internacional de Cinema de Berlim.

Segundo Leonor Teles, que tem raízes ciganas por parte do pai, o filme "não apresenta só uma problemática mas tenta, de certa forma, combatê-la", uma vez que a própria realizadora sentiu a "urgência" de destruir vários desses sapos em frente à câmara. Antes deste filme, a jovem realizadora tinha feito já outros trabalhos à volta desta temática

O filme de Leonor Teles volta a uma competição internacional, no festival de cinema de Hong Kong com outros portugueses na programação. Da selecção geral do Festival Internacional de Cinema de Hong Kong deste ano fazem parte "Visita ou memórias e confissões", de Manoel de Oliveira, filme rodado nos início dos anos de 1980, mas exibido publicamente apenas após a morte do realizador, a trilogia "As Mil e uma noites", de Miguel Gomes, e "Cartas da Guerra", de Ivo Ferreira, que também fez parte da competição oficial do Festival de Berlim deste ano.

Estão ainda no cartaz de Hong Kong os documentários "Os Olhos de André", premiado no festival de cinema Indie Lisboa, do realizador António Borges Correia, e "Eldorado XXI", uma coprodução luso-francesa, realizada por Salomé Lamas. Todos estes filmes terão duas exibições em Hong Kong, dentro da programação do festival, que dura 15 dias.

O cartaz junta mais de 240 filmes de um universo de 66 países e territórios, num alinhamento que a organização do festival define como sendo "o mais eclético de sempre", contando com 63 estreias mundiais, internacionais e/ou asiáticas. Fundado em 1976, o HKIFF (na sigla em inglês) é o mais antigo festival de cinema da Ásia e um dos mais reputados.