Gaia vai ter uma nova praça com vista para o Douro em 2017

Cobertura do novo edifício de atendimento aos cidadãos da Câmara de Gaia pensada como nova centralidade

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Aqui nascerá o novo edifício de atendimento ao público Martin Henrik
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Área de implantação DR
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Maquete do edifício visto de cima DR
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Maquete do edifício DR

É o que se pode chamar um dois em um. Em 2017, Gaia vai ter uma nova praça, nas traseiras dos paços do concelho. O espaço público resultará da utilização da cobertura de um novo edifício para acolhimento dos serviços administrativos da autarquia e de atendimento aos cidadãos que vai começar a ser construído no Verão. Serão vários os eventos que ali se poderão realizar, num cenário na cota alta da cidade com vista para o Douro.

O projecto de 2,2 milhões de euros e com uma área de construção de quase 2800 metros, foi esta segunda-feira apresentado a funcionários, convidados e à imprensa. Trata-se de um trabalho de uma arquitecta do município, Joana Almendra, que agradou de sobremaneira a Eduardo Vítor Rodrigues que assim pode pôr definitivamente de parte um projecto anterior, que previa uma torre de 12 pisos no local. A mesma arquitecta vai a seguir desenhar a requalificação do edifício dos serviços técnicos da autarquia, com o qual a Praça – em maiúsculas, dado ser esse o nome oficial – dialoga, e que precisa de uma intervenção.

O novo edifício de atendimento ao público – que concentrará os balcões de vários serviços, entre eles, com destaque, o das Águas de Gaia – parte da cota mais baixa da Rua General Torres, para se alinhar com a cota das traseiras da Câmara de Gaia e encosta-se ao piso mais baixo do imóvel onde funcionam os serviços técnicos. O projecto contempla vários percursos de circulação pedonal entre os vários patamares, sendo que já nos próximos meses, o município vai resolver o problema de inacessibilidade dos deficientes aos paços do concelho, com a instalação de um elevador panorâmico: virado para a nova praça e com vista, também ele, para o casco histórico e o rio.

Eduardo Vítor Rodrigues apresentou este projecto como parte de uma estratégia de valorização da Avenida da República e da respectiva envolvente, para cujo esforço, afirmou, a existência, a poucos metros de distância, do El Corte Inglès tem sido insuficiente. O autarca já tinha anunciado o arrendamento de um espaço grande, num edifício da avenida, para instalação do atendimento na área social e do urbanismo, mas referiu a intenção de atrair para este eixo, servido pelo metro, mais dois ou três projectos âncora, que atraiam gente para esta parte alta da cidade onde o fluxo de turistas que enche a Ribeira não vai.

Na Rua General Torres, em frente à nova Praça, a Câmara de Gaia pretende construir um centro para congressos de até 2000 pessoas, que incluirá um hotel e um espaço comercial. O projecto, cujo arquitecto o autarca não quis revelar, será mais detalhado em Abril, mas a concretização da obra dependerá, sempre, de fundos comunitários. Eduardo Vítor considera-o essencial para puxar para Gaia eventos que neste momento se concentram em Vigo ou Lisboa. Mais fácil será a remodelação do auditório municipal de Gaia, que Eduardo Vítor Rodrigues quer transformar num pólo cultural complementar ao portuense Rivoli, melhorando a oferta na cidade.

Garantido o saneamento financeiro da autarquia, o presidente da Câmara de Gaia considera urgente e estratégico o investimento na cultura, admitindo inclusive contratar um programador para o renovado auditório. Que conviverá com uma biblioteca municipal que, após as obras em curso, ficará também reabilitada.

Junto ao rio, enquanto estuda uma alteração ao trânsito na marginal ribeirinha, o autarca garante novos motivos de interesse, com o Mercado da Beira Rio, o Mercado da Afurada e, nesta freguesia piscatória, com a nova capela, desenhada por Siza Vieira. Segundo Eduardo Vítor Rodrigues, o projecto será brevemente apresentado pelo autor e, para além de um local de culto para a comunidade, será, garante, mais um elemento patrimonial que os turistas quererão visitar na margem sul do Douro.   

Mudanças no trânsito da Avenida Diogo Leite

A Câmara de Gaia admite vir a impedir a circulação automóvel, ao fim-de-semana, na Avenida Diogo Leite, que margina o Douro entre a Ponte Luís I e o Cais de Gaia. A proposta está a ser discutida com moradores comerciantes e empresas de Vinho do Porto que têm ali as suas caves, mas resulta da percepção de que o tráfego afecta a segurança e o conforto de uma zona que deveria ser, na perspectiva da autarquia, uma área de fruição, dado o fluxo de turistas que não pára de aumentar.

A pedonalização definitiva da avenida está posta de parte, dada a importância deste eixo nos dias de semana, para quem circula de e para o Porto à cota baixa, mas ao fim-de-semana é quase certo que após o Verão deste ano haverá restrições. Que poderão ser nos dois sentidos ou apenas no sentido de acesso ao Porto, para o qual há alternativa.  Gaia está entretanto a estudar com a cidade do Porto um regulamento para o transporte turístico, que ambos os municípios consideram urgente disciplinar.