Chaves vai ser o tema de 16 contos escritos por autores portugueses e galegos

Chaves vai promover encontro de escritores portugueses e galegos. O projecto é um dos vencedores do orçamento participativo do município flaviense.

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Ponte Escrita foi o nome dado ao projecto, inspirado na milenar ponte romana de Chaves Paulo Ricca

Ponte Escrita foi o nome escolhido para dar vida ao projecto que, entre 15 e 17 de Abril, vai proporcionar o encontro entre escritores portugueses e espanhóis e a população de Chaves, bem como com o seu património histórico e natural. No âmbito deste encontro cultural serão produzidos contos sobre a cidade, a editar posteriormente em livro.

Segundo disse ao PÚBLICO Altino Rio, mentor do projecto, este distingue-se por ser um encontro que junta escritores portugueses e galegos e também por fomentar a produção de uma narrativa ficcional com a colaboração de todos os autores.

A escolha dos escritores que participarão nesta primeira edição do projecto não foi feita ao acaso. Segundo Altino Rio, foram escolhidos autores que demonstram, através da sua escrita, um espírito jovem, dinâmico e criativo. Além disso, não se optou apenas por autores já muito conhecidos do panorama literário nacional para dar oportunidade a criadores locais e menos conhecidos/divulgados de poderem participar num encontro, de forma a que, assim, possam divulgar o seu trabalho.

A cidade do imperador Tito Flávio Vespasiano receberá então os escritores portugueses Manuel Araújo, João Madureira, Herculano Pombo, Francisco José Viegas, José Carlos Barros, Paulo Moreiras, Rui Vieira, Cristina Carvalho, Rita Taborda Duarte, Nuno Camarneiro, Tiago Salazar, José Fanha e Olinda Beja e os galegos Elena Gallego Abad, Inma López e Anton Cortizas Amado. Estará também presente o ilustrador Richard Câmara.

Os escritores visitarão a cidade com a ajuda de um cicerone – o capitão Fernando Pizarro Bravo, que se tem dedicado a estudar a história da cidade - e serão convidados a conhecer o património mais emblemático desta - Ponte Romana, Termas, Castelo, casco velho, Fortes S. Francisco e S. Neutel, sobre o qual escreverão um conto. Reunidos todos os escritos, uma equipa redactorial, constituída para o efeito, procederá à junção de todos os contos em forma de livro, que será depois impresso.

Além da visita, os escritores terão a oportunidade de conviver com a população local para conhecer melhor os flavienses e os seus costumes. Constam do programa encontros com professores e alunos das escolas da cidade, bem como um jantar com  populares de forma a poderem fundamentar melhor os seus contos.

Será também realizado um momento de tertúlia sobre a escrita. Neste sentido, a organização está a fazer esforços para que se possa realizar no recém-construído espaço do Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso – obra de Álvaro Siza Vieira construída na margem do Rio Tâmega e que ainda não se encontra em funcionamento.

Durante o programa da Ponte Escrita, todas as montras do comércio tradicional estarão voltadas para o livro e para os autores que estarão pela cidade à procura de inspiração para os seus contos. Em cada expositor, haverá pelo menos um livro de cada autor, de forma a divulgar e tornar conhecidos não só os autores participantes, mas também a sua obra. Embora fiquem a conhecer toda a cidade, cada autor terá de se cingir a um dos locais que lhes é atribuído pela organização.

Ainda no âmbito do projecto, a editora e livraria Traga-Mundos, de Vila Real, levará até à biblioteca municipal flaviense uma pequena feira do livro, onde serão comercializadas obras dos autores participantes, mas também de outros autores transmontanos.   

Depois destes três dias de visita à cidade dos romanos, das termas, dos pastéis, do presunto e do folar, os escritores regressarão a suas casas, onde terão três meses para produzir o seu conto, e ainda um limite de caracteres para o mesmo. Depois da produção, uma equipa redactorial juntará os contos e fará nascer a narrativa ficcional sobre Chaves. A obra será depois impressa e comercializada a um preço módico, graças à comparticipação financeira dada pela Câmara Municipal de Chaves (CMC), no âmbito do seu Orçamento Participativo (OP).

A iniciativa foi a vencedora da acção “Promoção e Dinamização - Projectos de âmbito Social, Cultural e Desportivo” do OP de 2015, com 192 votos, e um orçamento de 15 mil euros, e pretende incentivar a leitura e a escrita, bem como divulgar a cidade.

 

Altino Rio acredita que este é um projecto que não se ficará apenas por uma primeira iniciativa. Contando com o apoio da CMC para poder repetir o evento e até chamar mais escritores a descobrir e a escrever sobre Chaves, o mentor do projecto mantém altas as expectativas para esta primeira edição.

Texto editado por Ana Fernandes