Uma das garraiadas universitárias do país Marco Maurício
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Uma das garraiadas universitárias do país Marco Maurício

Alunos pedem o "fim da garraiada na Queima"

A petição contra "um acto extremamente violento e humilhante" tem quase três mil assinaturas

"Fim da Garraiada na Queima do Porto". É assim, de uma forma directa, que duas estudantes da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto lançaram uma petição — com quase três mil assinaturas —, que pretende terminar com aquilo que consideram ser "um acto extremamente violento e humilhante para o bezerro".

Joana Rocha e Sónia Marques, alunas de Bioengenharia, dirigem o abaixo-assinado à Federação Académica do Porto (FAP), referindo-se à possibilidade de a garraiada voltar a estar incluída no programa da Queima das Fitas, que se realiza entre os dias 1 e 8 de Maio. "Pretende-se que a FAP ouça os estudantes e restante comunidade e impeça que a garraiada manche as tradições académicas este ano e nos seguintes", pode ler-se.

Ao Canal Superior, Daniel Freitas, presidente da FAP, admite que o tema é "fracturante" na academia e que a discussão voltará a ser debatida ainda antes da Queima deste ano. Para tal, já em Março decorrerá uma assembleia geral da FAP dedicada apenas ao tema "garraiada". "A Queima das Fitas é uma actividade dos estudantes e para os estudantes, muito amada e próxima de toda a comunidade. Como tal, todos os temas são alvo de grande escrutínio por parte da comunidade estudantil", conclui Daniel Freitas.

Enquanto "defensoras dos direitos dos animais", as autoras da petição recordam que esta está aberta a qualquer pessoa, independentemente de ser ou não estudante universitário "uma vez que qualquer pessoa pode assistir à garraiada". "E também porque o sofrimento animal é um assunto que diz respeito a todos. Esta petição pode e deve ser assinada por quem não se revê na utilização de animais para entretenimento humano".

A FAP e restantes associações de estudantes, alertam, "não podem continuar a ignorar os direitos dos animais". "É uma vergonha que se gaste anualmente mais de quatro mil euros a financiar um evento que nada tem a ver com a missão que guia as associações de estudantes. A garraiada não pode constar mais um ano no programa da Queima das Fitas do Porto, mantendo-se um embaraço para toda a Academia".