Bósnia quer entrar na União Europeia

Candidatura foi apresentada. Agora os 28 Estados-membros vão avaliá-la.

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AFP/Giuseppe ARESU

A Bósnia candidatou-se à adesão à União Europeia (UE), anunciou Federica Mogherini, representante da política externa europeia, nesta segunda-feira, em Bruxelas, acrescentando que Sarajevo não cumpriu todas as condições, mas que cabe agora aos 28 Estados-membros analisar a candidatura.

Mogherini considerou que esta candidatura é uma "boa notícia" para a UE e para a Bósnia, uma antiga república da Jugoslávia, onde na década de 1990, a guerra provocou a morte a cerca de 100 mil pessoas. "Numa altura em que a UE é questionada a partir de dentro, temos um maior sentido de responsabilidade ao vermos que os nossos vizinhos mais próximos têm uma tal energia e vontade de se juntar e trabalhar para adaptar os seus países, sociedade, economia, instituições, sistemas às normas do Parlamento Europeu", disse aos jornalistas.

“A nossa vizinha Croácia já é um Estado membro, Montenegro e Sérvia estão no seu caminho para a integração na UE. A Bósnia-Herzegovina também faz parte deste continente”, afirmou Dragan Covic, presidente em exercício da presidência colegial da Bósnia, ao submeter a candidatura, em Bruxelas. “Estamos conscientes de que esta é a nossa tarefa, que é preciso fazê-lo”.

O pedido foi apresentado por Dragan Covic ao ministro dos Negócios Estrangeiros holandês, Bert Koenders, cujo país assegura actualmente a presidência da UE. “A UE está contente por ver a Bósnia de volta ao caminho das reformas”, declarou Koenders à AFP, realçando também o longo caminho que ainda terá que ser percorrido. “A adesão não será possível nos próximos meses, ou até nos próximos anos”, afirmou.

Saravejo já quis submeter a sua candidatura por diversas vezes, mas os 28 Estados-membros sempre disseram que a Bósnia necessita de melhorar em diversas áreas, como a economia, o sistema judicial, o estado de direito, a administração pública ou as instituições políticas de forma a poder tornar-se um país candidato à adesão – uma mensagem que foi reiterada novamente em Bruxelas.

A Bósnia, um país em desvantagem relativamente à maioria dos Estados dos Balcãs, tem sido observada com particular atenção pela UE, que considera fundamentais as reformas para relançar a economia do país. A Bósnia vive sob enorme agitação social, com uma taxa de desemprego que ultrapassa os 40 % e os protestos sociais e focos de islamismo radical a serem cada vez maiores.