Abertura de dique não evitou nova inundação no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha

Sistema automático aliviou permitiu aliviar pressão nas margens durante a noite, alagando campos agrícolas no Baixo Mondego.

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O sistema de protecção do monumento acabou por não se revelar eficaz, com a água a entrar por frestas de um portão de contenção Adriano Miranda
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O sistema de protecção do monumento acabou por não se revelar eficaz, com a água a entrar por frestas de um portão de contenção Adriano Miranda

A subida das águas do Mondego em Coimbra entre sexta e sábado levou à abertura do sistema de diques fusíveis, reduzindo a pressão nas margens a montante. No entanto, a descarga levou à inundação de várias zonas agrícolas no Baixo Mondego, entre Coimbra e Montemor-o-Velho.

A circulação de comboios na linha entre Coimbra e Figueira da Foz está interrompida devido às cheias. A Infraestruturas de Portugal adiantou em comunicado que, a Linha do Norte, nos troços entre Alfarelos e Taveiro continua bloqueada por inundação, não havendo previsão de reposição da circulação.

Já o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, monumento nacional situado abaixo da linha de água na margem esquerda do Mondego, voltou a ver o nível da água subir. Se no sábado as cheias não eram tão graves como as registadas em Janeiro, com a água a atingir cerca de 40 centímetros de altura, neste domingo as águas já submergiam na totalidade a zona dos claustros.

O sistema de protecção do monumento acabou por não se revelar eficaz, com a água a entrar por frestas de um portão de contenção. De acordo com a Direcção Regional de Cultura do Centro (DRCC), a 11 de Janeiro, as cheias causaram um prejuízo entre 450 mil a 600 mil euros com as operações de retirada de água do mosteiro a acabar apenas no último fim-de-semana.

Na passada quinta-feira a directora da DRCC, Celeste Amaro, estimava que o espaço pudesse abrir ao público novamente no prazo de cerca de um mês, mas no sábado avançou ao PÚBLICO que esta nova intempérie poderia atrasar essa data.

Entre o rio e o mosteiro, o restaurante Tertúlia também registou um agravamento da situação em relação a sábado e a água acabou por alagar também o campo de golfe do hotel Quinta das Lágrimas.  Também na parte de trás do monumento foram afectados estabelecimentos comerciais e casas.

A abertura dos diques localizados numa zona próxima do Choupal permite aliviar a pressão nas margens a montante do dique, descarregando a água nos campos agrícolas do Baixo Mondego. “O dique fusível funciona automaticamente. Quando o leito do rio atinge determinada pressão, o dique abre e espraia a água nos campos agrícolas”, explicou ao PÚBLICO o comandante Carlos Tavares, do Comando Distrital de Operações de Socorro.

O comandante afirma que, caso tal não tivesse acontecido, teria “consequências mais graves”. No sábado, já depois de ter accionado o plano de emergência de cheias, o município emitiu um alerta às populações residentes em zonas ribeirinhas para que se precavessem, de forma a minimizar os estragos.

No Cabouco, a Sul de Coimbra, na margem do rio Ceira, a situação já evoluiu em relação a sábado. O rio galgou a margem e ameaçou cerca de 30 habitações, mas Carlos Tavares diz que o nível da água já baixou.

Entre a meia-noite e as 12h deste domingo, as autoridades registaram várias ocorrências de quedas de árvores, deslizamento de terras e inundações. Muitas estradas e caminhos foram cortados, avançou o CDOS, embora não seja ainda possível calcular um número exacto.  

Até agora, os concelhos mais afectados situam-se no interior do distrito, mas o Instituto Português do Mar e da Atmosfera colocou sete distritos sob “Aviso Vermelho”, o mais elevado numa escala de quatro, devido à previsão de agitação marítima. Montemor, Soure e Coimbra mantém-se “sob efeito de cheia”, refere o responsável.

O Centro de Ciência Viva de Coimbra, localizado perto do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, também sentiu o efeito da subida do Mondego. Neste domingo, o Exploratório abriu de forma apenas parcial “por motivos de segurança”, tendo sido afectado “de forma mais intensa” do que o registado nas cheias de Janeiro.

A nota da direcção do Exploratório refere que a zona exterior foi a mais afectada, com oficinas, arrecadações bem como uma área de módulos interactivos “totalmente submersas”. O espaço, ainda que de forma parcial, deve manter o horário de funcionamento normal, caso as condições não se alterem.