Antiga conserveira Vasco da Gama acolhe novo museu de Matosinhos

Museu deverá chamar-se Cais da Língua e das Migrações e Guilherme Pinto quer abri-lo em 2017

A fábrica fechou as portas em 1995
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A fábrica fechou as portas em 1995 Adriano Miranda

A antiga fábrica de conservas Vasco da Gama, devoluta há anos, no centro de Matosinhos, deverá acolher o futuro Museu da Diáspora e da Língua Portuguesa, que a câmara liderada por Guilherme Pinto quer abrir já no próximo ano. A permuta que irá permitir a aquisição do edifício pela autarquia deverá ser aprovada na reunião do executivo da próxima semana.

“Estou muito satisfeito, porque com esta solução conciliamos duas coisas: a preservação do património industrial e a introdução de uma função nobre, como a de um museu, no local”, disse o presidente da Câmara de Matosinhos ao PÚBLICO. Guilherme Pinto defende que a negociação com o proprietário privado do imóvel foi “muito bem conseguida”, já que, garante, não acarretará custos para o município. “O que irá à próxima sessão da câmara é a permuta do edifício por terrenos de propriedade municipal com capacidade construtiva e o mesmo valor do imóvel, o que faz com que não haja qualquer dispêndio da autarquia”, afirma.

A proposta, a que o PÚBLICO teve acesso, defende o “interesse público” da permuta e especifica que a câmara entrega ao proprietário, a troco do edifício da antiga fábrica, três terrenos avaliados em quase 1,056 milhões de euros. Já o imóvel privado, situado no gaveto da Rua Conselheiro Costa Braga e Avenida Menéres, é avaliado em um pouco mais desse valor, o que na prática, daria um crédito a favor do privado de 1234,95 euros. Contudo, o “proprietário prescinde de receber a diferença”, esclarece-se na proposta, pelo que a câmara não terá de pagar qualquer valor em numerário pela propriedade do imóvel que se situa nas imediações da futura Casa da Arquitectura.

Guilherme Pinto explica que a aquisição deste edifício se integra numa política deliberada e mais alargada da câmara de dar nova vida às fábricas abandonadas do concelho. “A câmara tem a vontade de ir paulatinamente adquirindo os imóveis de características industriais que estão abandonados, para os valorizar de várias formas, que podem passar pela instalação de empresas, sobretudo start ups, ou por outras soluções, como esta”, diz.

O futuro museu deverá chamar-se Cais da Língua e das Migrações e terá à sua disposição os 2500 metros quadrados da antiga conserveira, encerrada em 1995. Guilherme Pinto argumenta que o espaço escolhido para o museu desejado é “um exemplo muito interessante da arqueologia industrial” e não se mostra preocupado com algumas limitações. “O edifício tem que ser completamente preservado. Não se pode construir em altura, mas isto não impede que se façam alterações no interior”, explica o autarca.

A antiga fábrica deverá ser reabilitada por um arquitecto cujo nome Guilherme Pinto não quer, para já, revelar, mas que afirma estar “quase, quase, quase” seleccionado. Neste momento, a autarquia está também “em fase de negociações da equipa que vai estabilizar o programa museológico”. O projecto, anunciado pelo autarca em Dezembro do ano passado, terá um avanço decisivo assim que permuta do imóvel por terrenos municipais seja aprovada. “Era a parte que faltava para que pudéssemos aspirar a ter o Cais da Língua e das Migrações”, diz o presidente eleito como independente, depois de se desvincular do PS.

O novo museu foi anunciado por Guilherme Pinto, no final do ano passado, durante uma visita do ministro da Cultura, João Soares, às futuras casas da Arquitectura e do Design. Na altura, em declarações ao PÚBLICO, o autarca mostrou-se satisfeito por João Soares ter considerado que o projecto tinha “interesse nacional”, já que, afirmou: “Nada disto tem interesse se for apenas para Matosinhos, é necessário dar-lhe uma dimensão nacional”.

Guilherme Pinto manifestou, então, a vontade de inaugurar o museu já em 2017, explicando que o projecto estava a ser encabeçado pela ex-ministra da Cultura socialista, Isabel Pires de Lima. Depois de uma fase inicial em que a ideia envolvia apenas a questão da Língua Portuguesa, o projecto evoluiu para ganhar uma componente significativa dedicada à diáspora. O projecto, excluindo a permuta do imóvel, deverá custar cerca de dois milhões de euros, mas a Guilherme Pinto espera obter apoio comunitário para a sua concretização, garantindo, contudo, que o museu avançará mesmo que tal não seja possível.