Portas sobre Guterres na ONU: um nome "fortíssimo", uma escolha acertada

Líder centrista destaca o "elevado prestígio" do alto-comissário da ONU para os Refugiados e alerta para o difícil processo de candidatura.

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Portas: " Enric Vives-Rubio

Paulo Portas descreve António Guterres como uma “personalidade respeitada e adequada” que goza de “elevado prestígio” para o lugar de secretário-geral das Nações Unidas e promete “empenhamento” pessoal e do CDS no seu processo de candidatura ao mais alto cargo daquela organização internacional.

“O trabalho de António Guterres como alto-comissário para os refugiados em circunstâncias internacionais muito exigentes foi, evidentemente, notado e é aplaudido e reconhecido”, realçou o presidente do CDS-PP aos jornalistas no Parlamento, dizendo-se “testemunha” do “elevado prestígio e apreço que existe por António Guterres no âmbito das Nações Unidas, das suas agências e do seu corpo de servidores”.

O presidente do CDS-PP recordou, porém, que a eleição do secretário-geral da ONU é um processo complicado, em que é necessário reunir um conjunto de condições que não dependem apenas dos candidatos. “É preciso ter a disposição favorável do Conselho de Segurança, a não oposição dos seus membros permanentes, e ter em atenção uma regra - que é mais um costume do que uma formalidade - de rotação continental e geográfica.”

Será necessário, portanto, fazer “um longo trajecto e vencer uma série de etapas que não é isenta de dificuldades”, avisou. Mas Paulo Portas reconhece que António Guterres é um nome “muito forte” na Europa Ocidental e “saberá sempre honrar a imagem de Portugal” no estrangeiro. Falando na necessidade de haver consenso interno à volta do nome proposto, o líder do CDS prometeu o apoio do partido. “Nós sabemos distinguir o que são controvérsias políticas do que são interesses permanentes do Estado português”, garantiu o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo PSD/CDS.

Como o PÚBLICO avançou nesta sexta-feira, o Governo português já está no terreno a fazer lobbying por Guterres e apresentará a candidatura do ex-primeiro-ministro em Fevereiro.

BE e PCP: sim, mas em nome de valores
Durante o dia, têm sido várias as reacções de apoio e de diferentes quadrantes políticos. Marcelo Rebelo de Sousa considera o ex-primeiro-ministro “um candidato fortíssimo”, António Vitorino diz que “daria um excelente secretário-geral” e José Manuel Pureza considerou o nome acertado.

O PCP também já reagiu. “Face à iniciativa do Governo de apresentar a candidatura de António Guterres para o cargo de secretário-geral das Nações Unidas, o PCP quer salientar que a desejável presença de cidadãos portugueses em altos cargos públicos internacionais não pode ser desligada – como a realidade demonstrou com a presidência da Comissão Europeia - dos objectivos e projectos de intervenção que em concreto se propõem”, lê-se num comunicado.

O PCP defende o “necessário posicionamento quanto ao respeito pela Carta da Nações Unidas e pela afirmação do direito internacional, e por uma contribuição determinada em defesa da paz e da cooperação, pela promoção do desenvolvimento económico e social no respeito pelos direitos dos povos e da soberania e da independência dos Estados – ou seja dos princípios igualmente consagrados na Constituição República Portuguesa”.

Já para Marcelo Rebelo de Sousa, o antigo primeiro-ministro socialista António Guterres é "um candidato fortíssimo". “Penso que tem hipóteses de vitória. Por aquilo que conheço de informações internacionais, ele tem vindo a ganhar apoios crescentes e, portanto, não é um sonho, um devaneio, é um projecto que tem pés para andar", afirmou aos jornalistas em Viana do Castelo.

O deputado do Bloco de Esquerda José Manuel Pureza também considerou acertado o nome de Guterres, reconhecendo o trabalho de "coragem e lucidez" que este desempenhou no ACNUR. Afirmou que é uma personalidade internacional "que se destacou nos últimos anos no seu compromisso numa das causas maiores do mundo contemporâneo que é, e vai continuar a ser, pelas piores razões, a protecção dos refugiados".

O ex-líder parlamentar do BE reconheceu que, se António Guterres desempenhar o papel de secretário-geral das Nações Unidos à semelhança do que fez enquanto esteve no ACNUR, com "o mesmo espírito (...) dará um contributo muito positivo para a paz, desenvolvimento e igualdade".

Lembrou, porém, que houve portugueses que foram eleitos para cargos internacionais e isso "não significou um contributo positivo", ilustrando com o exemplo de Durão Barroso enquanto presidente da Comissão Europeia e criticando o seu desempenho à frente do organismo europeu.

Outra das reacções partiu do dirigente socialista António Vitorino, para quem Guterres "daria um excelente secretário-geral das Nações Unidas".

Depois da notícia do PÚBLICO, o Governo já anunciou que esta candidatura é "um imperativo" e destacou "a forma exemplar" como Guterres exerceu altos cargos internacionais, considerando que possui "as melhores condições" para este mandato. "É nossa firme convicção que o engenheiro António Guterres é a personalidade com melhores condições para exercer esse mandato, correspondendo à necessidade de enfrentar os desafios que hoje se colocam à comunidade internacional", lê-se numa do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

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