Edgar Silva reforça apelo à mobilização

Candidato do PCP esteve esta manhã na Parede, Oeiras

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O membro do Comité Central comunista Edgar Silva reforçou a palavra "mobilizar, mobilizar, mobilizar" numa "arruada" matinal na Parede, com vista às eleições de domingo, recorrendo a mais uma metáfora de flora.

Depois de cerca de uma hora entre a estação ferroviária da Linha de Cascais e a avenida da República, o deputado regional madeirense falou esta terça-feira de manhã para as escassas dezenas de pessoas concentradas junto ao palanque móvel do PCP para lhes dar "sementes de esperança" em nova derrota da direita e seu candidato, Marcelo Rebelo de Sousa, à semelhança das legislativas de 04 de outubro.

Edgar Silva recordou os seus tempos de activista pelos direitos das "crianças das caixinhas", em Câmara de Lobos, e o projecto "Escola Aberta", posteriormente encerrado pelo "rolo compressor do poder do Governo regional" do social-democrata Alberto João Jardim e a diocese funchalense, para sinalizar que, numa visita recente, "ainda lá está a magnólia branca plantada há 20 anos, que era uma semente pequenina".

Sentado à porta de uma livraria, a fumar, de olhar alheado e roupa descuidada, o rosto de Paulo Carvalho, 71 anos, um reformado lisboeta que vive sozinho na Parede, iluminou-se à passagem da comitiva comunista, sobretudo pelo desvio efetuado pelo candidato para o cumprimentar.

"Não, eu sou PS. Ainda não sei, mas há de ser num dos dois (candidatos Sampaio da Nóvoa ou Maria de Belém)", esclareceu, a custo, na sua expressão fechada a quem "a vida corre mais ou menos, está-se para aqui".

Mais animado, Alexandre Agostinho, outro septuagenário também trocou palavras com Edgar Silva, nomeadamente o gosto em comum pelo hóquei em patins, praticado na juventude, tal como o filho do candidato, Lucas, de 10 anos, atleta do Hóquei Clube da Madeira.

"O voto é segredo, tenho a minha vocação. Não tenho quotas agora, mas sou militante do PCP. Não lhe vou dizer directamente, mas tenho a minha vocação para a esquerda. Tenho impressão de que é capaz de haver segunda volta. Voto sempre na esquerda, mas já fui traído uma vez e nunca mais. A minha cor é sempre vermelha, sempre na esquerdinha", disse, referindo-se à eleição do socialista Mário Soares.

Muito descontraída à passagem da caravana de Edgar Silva estava Antonina da Veiga, natural da Praia, Cabo Verde, com 63 anos e há 23 a viver em Oeiras. A trabalhadora de limpezas na Parede gostou do que viu.

"Esse (candidato) é muito bonito. Não conheço nenhum. Só sei que a Câmara (Municipal de) Oeiras não presta, tem de se votar noutros. Domingo, não sei se vou, mas o meu marido vai. Pode votar nele se souber o nome. Chega lá e, se souber o nome, vota, pronto", afirmou, num quente linguajar crioulo.

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