Qatar baniu A Rapariga Dinamarquesa

Ministro da Cultura exigiu a retirada do filme, sobre a primeira mulher transgénero, Lili Elbe, de todos os cinemas do país, depois de queixas de “depravação”.

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“O filme contradiz a nossa religião, moral e tradição”, lê-se num dos protestos contra a permanência do filme em cartaz DR
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No grande ecrã, Redmayne é Lili Elbe, nascida homem com o nome de Einar Mogens Wegener em Dezembro de 1882 DR

No Qatar quem não viu A Rapariga Dinamarquesa, já não o vai poder fazer. A produção de Tom Hooper, protagonizada pelo vencedor de um Óscar Eddie Redmayne, tinha estreado no início do mês mas durou pouco tempo em sala devido às várias queixas sobre o conteúdo do filme, que conta a história da dinamarquesa Lili Elbe, conhecida como a primeira mulher transgénero.

Em resposta às críticas de “depravação” que se fizeram sentir em particular nas redes sociais, o ministério da Cultura e Informação do Qatar baniu A Rapariga Dinamarquesa. “Queremos informar que contactámos a administração em causa e a exibição do filme A Rapariga Dinamarquesa está agora banida dos cinemas”, escreveu no Twitter o ministro Hamad Bin Abdulaziz Al-Kawari, agradecendo a “firme vigilância” de todos.

Um empregado de um cinema em Doha contou ao The Guardian que assim que a exigência do ministro chegou que o filme foi imediatamente retirado, tendo estado em exibição naquela sala apenas três dias.

O Guardian escreve que foram vários os cidadãos que se queixaram do conteúdo do filme, que tem dado que falar em grande parte pela transformação do actor Eddie Redmayne – mais uma, depois de ter sido o físico britânico Stephen Hawking, portador de esclerose lateral amiotrófica, num papel que lhe valeu o Óscar. “O filme contradiz a nossa religião, moral e tradição”, lê-se numa das críticas.

No grande ecrã, Redmayne é Lili Elbe, nascida homem com o nome de Einar Mogens Wegener em Dezembro de 1882. Na Academia Real Dinamarquesa de Belas Artes, ainda homem, Elbe conheceu a artista Gerda Gottlieb – no filme representada por Alicia Vikander – por quem se apaixonou e casou em 1904. Começou por se transformar em mulher quando Gottlieb precisava de uma musa para as suas pinturas e aos poucos passou a viver publicamente como mulher que se sentia.

Em 1930, fez uma cirurgia experimental na Alemanha para mudar de sexo, tornando-se na primeira pessoa a submeter-se a uma intervenção do género. Ao longo de dois anos, Lili Elb foi operada cinco vezes. No final deste processo, não se sentia mais a mesma pessoa e pediu ao rei da Dinamarca que dissolvesse o seu casamento, pedido concedido em 1930, altura em que conseguia também ver legalizada a sua nova identidade.