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Evan Spiegel com Bobby Murphy, os dois fundadores da Snapchat Lucas Jackson/ Reuters
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Evan tem 25 anos e é natural de Los Angeles Mike Blake/ Reuters

Evan Spiegel, o miúdo irreverente que se tornou supermilionário com a Snapchat

Mais de 100 milhões de pessoas utilizam a app que ele inventou. Aos 25 anos, o criador da Snapchat Evan Spiegel foi uma das personalidades marcantes do ano de 2015 ao ser considerado o mais jovem milionário do mundo pela "Forbes". Quem é e como se fez o menino 1,9 mil milhões de euros?

Reza a história revelada pela revista "Forbes" que Evan Spiegel terá recebido um e-mail informal de Mark Zuckerberg com um convite para que viajasse até Silicon Valley para o conhecer. Irreverente, Spiegel respondeu-lhe: “Fico contente por te conhecer... se vieres ter tu comigo.” O cérebro do Facebook acabou por voar até Los Angeles para se encontrar com o jovem criador da aplicação Snapchat e comunicar-lhe muito directamente que dali a alguns dias lançaria a Poke, uma app de partilha de imagens e vídeos que se apagam instantaneamente ao fim de poucos segundos. Soa familiar? “Foi basicamente como dizer ‘nós vamos esmagar-vos”, conta Spiegel. Anos depois, o miúdo semi-desconhecido foi considerado o mais jovem milionário do mundo pela "Forbes" e pôs milhões de pessoas a comunicar através da tecnologia que inventou — e isto é já uma pista para o que veio depois da conversa com Zuckerberg.

De regresso ao escritório após a “revelação” do homem Facebook, Spiegel não se deixou intimidar. Encomendou seis exemplares do livro “The Art of War”, de Sun Tzu, e deu um a cada trabalhador da Snapchat. A decisão estava tomada: o jovem, agora com 25 anos, não haveria de baixar os braços. Quando Poke foi lançada, em Dezembro de 2012, apareceu no top da App Store quase imediatamente. Mas ao fim de três dias o inesperado aconteceu e Zuckerberg não só viu a sua app desaparecer da lista das 30 mais populares como testemunhou a subida da Snapchat subiu ao primeiro lugar. Estávamos a 25 de Dezembro. “Foi uma espécie de ‘Feliz Natal, Snapchat’”, sorriu Spiegel ao recordar o momento numa entrevista concedida à "Forbes".

O jogo virou nesse momento. No início de 2013, Zuckerberg rendeu-se às evidências e ofereceu a Spiegel 3 mil milhões de dólares (2,64 mil milhões de euros) pela sua app de partilha de imagens — mas Spiegel disse-lhe que não. E, aparentemente, fez bem. Neste ano, a Snapchat catapultou o americano para a lista dos 400 homens mais ricos do mundo e deu-lhe a medalha de ouro na lista dos jovens milionários, com uma fortuna de 2,1 mil milhões de dólares (1,9 mil milhões de euros). Ao lado apareceu o amigo co-fundador da app, Bobby Murphy, 27 anos, com 1,8 mil milhões de dólares (1,6 mil milhões de euros).

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Snapchat tem mais de 100 milhões de utilizadores Lucas Jackson/ Reuters

Há alguns pontos em comum entre o novo jovem sensação das "start-ups" tecnológicas e Mark Zuckerberg. Como o milionário do Facebook, Spiegel cresceu num meio onde quase nada faltava. Filho de dois prestigiados advogados, teve acesso às melhores escolas e foi sempre um “nerd” cujo refúgio era a tecnologia. “O meu melhor amigo foi o professor de informática, Dan”, contou à "Forbes". Ainda adolescente, Spiegel viu os pais divorciarem-se e, quando foi chamado a decidir, escolheu a casa do progenitor como poiso principal. O pai deu-lhe carta branca para a decoração da casa e ele contratou o designer de cenários da série "Friends", Greg Grande. O resultado final incluía estantes flutuantes e uma sala de cinema caseira, para citar apenas dois exemplos.

Um curso abandonado e uma festa produtiva

Na Universidade de Stanford, Evan deixou o curso de Design do Produto a poucos créditos de ficar completo. Mas foi por lá que se criaram as raízes da Snapchat. Ou, pelo menos, foi no ambiente universitário. Não é uma apologia das festas como momentos criativos mas é, efectivamente, um enredo repetido nas narrativas de "start-ups" tecnológicas de Silicon Valley. A Snapchat não nasceu numa aula, não foi desenhada num “brainstorming” nem em nenhum clube de electrónica — apareceu nas cabeças de três alunos de Stanford durante uma festa universitária. Antes da aplicação actual, Spiegel até já tinha ensaiado uma solução. Chamava-se Picaboo, não era substancialmente diferente da Snapchat como hoje o conhecemos — mas foi um "flop" total.

Ao tornar-se uma estrela, o jovem viu também a sua vida ser alvo de interesse dos media. Há tempos, alguns e-mails dele foram revelados e mostraram, em certos casos, uma pessoa que os fãs prefeririam não conhecer. Piadas sobre embebedar mulheres para poder dormir com elas ou anedotas homofóbicas e racistas eram comuns. As mensagens, escritas quando o jovem andava na faculdade, foram divulgadas pelo blogue Valleywag e originaram um pedido de desculpas de Spiegel. "Desculpem, escrevi isso na época e fui um idiota. Elas não reflectem quem eu sou hoje ou os meus pontos de vista.” Por outro lado, outros e-mails punham a descoberto um jovem muito esclarecido sobre novos mercados e sobre a audiência, humilde e consciente da volatilidade do mercado onde trabalha, com grande determinação para ter sucesso.

Numa entrevista concedida à "Forbes" no início de 2014, o jovem de Los Angeles mostrou-se extremamente opinativo em temas políticos e provou estar a par das novidades musicais, mas pôs sempre de lado temas como o futuro da Snapchat e estratégias de gestão da empresa. Recentemente, nas raras revelações que concede em relação à sua app, o jovem milionário contou que o símbolo — um fantasma em fundo amarelo — foi criado em apenas uma noite. Dá que pensar, não?