Ana Pinho Macedo Silva é solução de continuidade na presidência de Serralves

Nova presidente vai substituir em Janeiro Luís Braga da Cruz, que passará a ficar à frente do Conselho de Fundadores.

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Ana Macedo Silva nFactos/Fernando Veludo

A economista Ana Pinho Macedo Silva vai ser a presidente da administração da Fundação de Serralves no triénio 2016-18, substituindo no cargo Luís Braga da Cruz, que dirigiu a instituição portuense nos últimos seis anos.

A escolha foi feita esta quarta-feira, ao final da tarde, pelo Conselho de Fundadores, e “garante a continuidade”, disse no final da reunião Braga da Cruz, que passará a presidir àquele órgão igualmente a partir de Janeiro. Também aqui se verificou uma escolha de continuidade e que respeita a tradição da fundação: o actual presidente da administração substitui no cargo António Gomes de Pinho, que completa no final do ano um duplo mandato, depois de outros seis anos à frente da administração.

Ana Pinho Macedo Silva entrou na administração de Serralves em 2010, integrando o núcleo restrito de três elementos da comissão executiva desde 2013. Portuense de nascimento, é licenciada em Economia pela Universidade do Porto e detém um MBA pela Cass Business School, em Londres. Para além de Serralves, é também administradora da Oporto British School. Pertenceu à direcção da Associação Comercial do Porto, presidida por Rui Moreira, e desempenhou também funções na UBS Portugal e UBS Espanha.

No currículo agora emitido por Serralves, Ana Pinho Macedo Silva é apresentada como “uma conhecedora profunda da actividade cultural e organizativa da instituição”, onde frequentou “um curso de arte moderna e contemporânea”, além de ter tido ligações à Sociedade Nacional de Belas Artes e à Christie’s Education e ao Sotheby’s Institute, em Londres.

A nova presidente é a segunda mulher a ficar à frente de Serralves, depois de Teresa Patrício Gouveira ter presidido à administração entre 2001-03.

No final do conselho de fundadores, Rui Moreira congratulou-se também com a escolha de Ana Pinho, com quem trabalhou “anos a fio no Palácio da Bolsa”. “Sei do que ela é capaz”, acrescentou o presidente da Câmara do Porto (fundadora de Serralves), dizendo ter relativamente à nova presidente “uma esperança tranquila”.

“A Fundação de Serralves foi bem fundada, tem sido bem dirigida e vai continuar a ser assim no futuro”, realçou Rui Moreira, depois de descrever e elogiar o trabalho de Braga da Cruz. “Soube renovar a direcção artística do museu, defender o património da fundação e o papel da cidade do Porto” na cena nacional da arte contemporânea, acrescentou o autarca.

A reunião formal anual dos fundadores terminou com a assinatura do protocolo de adesão de quatro novos membros: as câmaras municipais da Maia e de Braga, a Associação Portuguesa de Certificação (APCer) e o Centro para a Excelência e Inovação da Indústria Automóvel (CEIIA). Serralves atinge assim o número de 201 fundadores, e, ao fazer o balando do seu consulado de seis anos (2010-15), Braga da Cruz realçou o facto de o número de autarquias ter subido já para 17, o que amplia a possibilidade de concretizar um dos "desígnios de Serralves, que é revelar a Colecção por todo o país”.

O ainda presidente apresentou também contas e números relativos ao seu duplo mandato: Serralves irá atingir, no final deste ano, 520 mil visitantes, o que “equivale a mais 15% nos últimos seis anos”, disse. E a Colecção de Serralves conta actualmente 4.300 obras, avaliadas em 50 milhões de euros.

Braga da Cruz lembrou também a capacidade que a fundação manifestou ao conseguir gerir a situação provocada pelos cortes na dotação anual do Estado, que retirou 30% à sua comparticipação, e “actualmente já só significa 38% do orçamento total anual” de Serralves.