Bomba do Boko Haram mata 32 pessoas num mercado na Nigéria

Num segundo atentado, perpetrado por duas bombista suicida, mais 15 pessoas morreram, em Kano.

O mercado de Yola, atacado terça-feira à noite pelo Boko Haram
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O mercado de Yola, atacado terça-feira à noite pelo Boko Haram Reuters

O número de mortos vai ser elevado, dizem as autoridades. Para já, diz a Reuters, estão confirmados 32 mortos e 80 feridos.O atentado foi planeado para fazer o máximo de danos e provocar o máximo de medo — a bomba rebentou numa rua cheia de gente em Yola, no Nordeste da Nigéria, dias depois de o Presidente, Muhammadu Buhari, ter visitado a zona e declarado que a derrota do grupo de extremistas islâmicos está próxima.

"A explosão ocorreu numa área onde estava uma multidão, pois ali existe um mercado de gado, uma zona de restauração ao ar livre e uma mesquita", disse um funcionário da Cruz Vermelha, Aliyu Maikano, citado pelo jornal The Guardian. "Acredito que o número de mortos vai ser muito alto", acrescentou.

Uma testemunha disse que a explosão aconteceu pouco depois das orações da noite, na terça-feira, e quando a multidão que saía da mesquita se dirigia para a zona de comidas.

O atentado não foi reivindicado, mas as autoridades dizem que tem a assinatura do grupo islamista radical Boko Haram (oa designação significa "não à educação ocidental"), que em Março jurou fidelidade ao Estado Islâmico. Nos últimos meses, a região foi alvo de uma sucessão de atentados do grupo, mas há três semanas que não havia nenhum.

O Presidente da Nigéria esteve em Yola na sexta-feira passada para condecorar soldados e para visitar um campo onde vivem pessoas deslocadas pelos seis anos de violência (17 mil mortos).

Muhammadu Buhari disse que o grupo islamista "está à beira da derrota" e pediu aos soldados para se manterem "vigilantes, alertas e centrados para impedir que o Boko Haram entre nas comunidades e atinja alvos desprotegidos".

Os observadores dizem que a nova estratégia do Governo de Muhammadu Buhari — que chegou ao poder este ano, sucedendo a Goodluck Jonathan, muito criticado pela pouca eficácia da sua luta contra os islamistas — está a dar frutos, sendo a prova disso o facto de este ter sido o primeiro atentado este mês.

Os últimos ataques tinham ocorrido em Outubro, quando 27 pessoas morreram e 96 ficaram feridas numa mesquita em Jambutu; e em Setembro, quando sete pessoas morreram devido à explosão de uma bomba colocada num campo de refugiados que o Presidente também visitara.

Buhari estabeleceu um prazo, o final de Dezembro, para as chefias militares derrotarem o Boko Haram, que nos últimos anos avançou no terreno, sobretudo no Nordeste da Nigéria, e se estabeleceu junto às fronteiras com o Chade, o Níger e os Camarões.

A explosão de terça-feira em Yola mostra, porém, que os comandos militares não têm uma tarefa fácil e que neutralizar os terroristas pode demorar mais tempo do que o previsto. O Exército tem vindo a divulgar os seus progressos. Na segunda-feira, anunciou ter impedido um atentado em Maiduguri, a capital do estado de Borno, e destruído uma fábrica de bombas do grupo.

Num segundo atentado, já esta quarta-feira, em Kano, uma das principais cidades da Nigéria, duas bombistas suicidas mataram 15 pessoas.

Segundo a Reuters, duas mulheres fizeram-se explodir junto ao mercado de telemóveis da cidade. Uma testemunha disse ao jornal nigeriano Vanguard que uma explosão ocorreu perto do gerador que abastecia o mercado, ao passo que a segunda bomba foi detonada no centro do mercado.