Opinião

Jamie e o açúcar

O açúcar é terrível e poderoso mas, atenção, acabou de arranjar um formidável inimigo.

A entrevista de Alexandra Prado Coelho com Jamie Oliver na última Revista 2 (com um belo título de combate) dá o melhor retrato do simpático cozinheiro que já vi.

São comoventes o civismo profundo e o optimismo entusiasmante de Jamie. Em vez de ter desistido de ajudar os conterrâneos depois dos resultados decepcionantes da campanha dele para haver refeições saudáveis nas escolas, Jamie decidiu enfrentar um inimigo maior ainda: o açúcar e a maneira como é acrescentado a um número cada vez maior de bebidas e alimentos.

No documentário dele, Jamie's Sugar Rush, mostra as consequências trágicas do consumo excessivo de açúcar mas, em vez de culpar os consumidores, mostra que o ambiente comercial e publicitário em que vivem, fazem com que, sobretudo nas famílias mais pobres, seja quase impossível evitar a catástrofe.

Vai ao México onde um imposto de 10 por cento sobre as bebidas com açúcar acrescentado tem tido resultados animadores. Oliver nunca simplifica nem foge dos problemas horrendos. A ambição dele não é salvar o mundo: é acabar com uma quantidade significativa de doenças (sobretudo a diabetes tipo 2) evitáveis. Nem que seja um bocadinho. É essa falta de megalomania que o torna tão admirável e eficaz.

Na televisão Jamie deixa os outros falar. Mas na entrevista da Alexandra Prado Coelho conhecemos aquilo que lhe vai na alma e tudo o que o preocupa. O açúcar é terrível e poderoso mas, atenção, acabou de arranjar um formidável inimigo.