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Neste catálogo, os meninos brincam com bonecas e as meninas com ferramentas

Pelo segundo ano consecutivo, cadeia espanhola de brinquedos Toy Planet criou um catálogo onde o género não conta. Sector começa a dar alguns sinais de mudança

Meninos a empurrar carrinhos de bebé e a brincar com malas de costura, meninas encantadas com caixas de ferramentas ou pistas de carros. A cadeia de brinquedos espanhola Toy Planet volta a romper preconceitos e aposta num catálogo de Natal de combate ao sexismo. Porque não há brinquedos só para elas ou só para eles — tal como o rosa não é exclusivo das meninas nem o azul dos meninos.

Há três anos, a cadeia espanhola criou uma campanha semelhante no Twitter e no Facebook. A resposta positiva fê-los dar o passo seguinte: em 2014, pela primeira vez, apostaram num catálogo sem sexismos. A divisão não é feita por género — uma aposta para recordar que um brinquedo pode ser "para todos", explicou ao El País o director geral da empresa Ignacio Gaspar.

"Não podíamos desperdiçar esta oportunidade, depois de sermos os primeiros [a apostar num catálogo não dividido por género]. Esperávamos que mais gente se juntasse mas até agora não aconteceu", disse. Houve excepçãoes. Como a proveniente do El Corte Inglés, que publicou um catálogo onde um menino aparece a passar a ferro numa tábua de brincar, e da Top Toys (integrante da Toys 'R' Us) que na Suécia apostou num catálogo onde as meninas jogavam com dardos e os meninos penteavam bonecas.

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Sinais de mudança que aos poucos vão sendo notados. As cozinhas de brincar têm sido colocadas no mercado como um produto unissexo. A Lego criou há cerca de um ano uma linha orientada para meninas. E a Mecanno usa as raparigas nas suas publicidades. Os estudos dizem-lhe que só têm a ganhar com essa nova postura: o mundo dos super heróis, tido como território dos rapazes, encanta cada vez mais meninas.

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A associação britânica Let Toys be Toys (Deixem os Brinquedos ser Brinquedos, em tradução livre) tem conseguido fazer com que várias casas comerciais, como a Target por exemplo, alterem as sinaléticas: em vez de "brinquedos para meninas" e "brinquedos para meninos" passou a fazer-se apenas uma diferenciação por tema.

A separação por géneros, aponta um estudo citado no The New York Times, é mais acentuada agora do que há 50 anos: um catálogo da Sears de 1975 só tinha 2% de brinquedos publicitados claramente para rapaz ou rapariga. Já a loja online da Disney tinha, em 2012, todos os produtos separados por género. Fará sentido?