Rejeição conjunta à coligação em cima da mesa

PS vota esta quarta-feira a liderança parlamentar, que além do acordo com os partidos da esquerda terá de decidir como se vai processar a votação do chumbo à coligação.

Carlos César defendeu que a forma mais adequada de governar “é corresponder à mudança com novas políticas”
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Carlos César Adriano Miranda

Não há pressas, mas a possibilidade é real. Agora que já há governo para chumbar, os quatro partidos da esquerda têm de acertar a melhor forma para o fazer. A par do acordo de suporte a um Governo socialista, PS, BE, PCP e Verdes têm para decidir durante esta semana se no momento da votação da rejeição do programa de Governo da coligação apresentam um texto conjunto.

O principal argumento para essa solução tem que ver com a praxis parlamentar. Havendo mais de uma proposta, no caso da primeira moção ser aprovada, as restantes nem sequer vão a votos. Como tal, é do interesse dos partidos da esquerda o surgimento de apenas uma, subscrita por todos, até pela demonstração de maior solidez do acordo.

Na passada sexta-feira, questionado pelo PÚBLICO sobre se a resposta ao Governo da coligação deveria assumir outro peso político através de uma moção de rejeição conjunta, o novo líder parlamentar socialista, Carlos César, respondeu que “o essencial é a votação dessa moção”.

No grupo parlamentar do PS, o agregar da esquerda numa única moção é admitido. Para que essa possibilidade se confirme não é sequer necessário que exista o acordo de Governo. Mas ao que o PÚBLICO apurou, a questão não foi ainda aprofundada nos contactos entre os partidos, mais ocupados ainda nos detalhes do acordo do “Governo alternativo” de António Costa.

Essa será uma das tarefas que a nova liderança parlamentar do PS terá entre mãos assim que for eleita esta quarta-feira. Foi divulgada esta terça-feira a lista de vice-presidentes da bancada parlamentar que irão a votos juntamente com Carlos César. O elenco é de peso e, por isso, tem os dias contados. Uma parte significativa dos que a compõem são deputados que António Costa deverá levar consigo para o Governo caso venha a confirmar-se o Governo de esquerda.

Além de Ana Catarina Mendes – indicada como 1.ª vice-presidente – e Pedro Nuno Santos (e que têm estado nas negociações com os partidos da esquerda) incluem-se nomes como Rocha Andrade (um socialista muito próximo de Costa, que está no secretariado do PS e que o acompanhou nos seus cargos governativos), José Apolinário (perito em assuntos relacionados com o mar e pescas), Helena Freitas (vice-reitora da Universidade de Coimbra) e João Galamba (que faz também parte do secretariado).

Além destes estão também na lista a ex-secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, a ex-presidente da Câmara de Odivelas, Susana Amador, Pedro Delgado Alves, e o presidente da maior distrital socialista, José Luís Carneiro.

A lista repete apenas dois dos nomes que acompanhavam Ferro Rodrigues na anterior liderança parlamentar. À excepção de Ana Catarina Mendes e Pedro Nuno Santos, todos os nomes são estreias na vice-presidência. A repetição destes nomes foi justificada com a participação dos dois socialistas nas negociações para um acordo de Governo. As ausências de peso são o líder da distrital de Lisboa, Marcos Perestrello e o ex-ministro Vieira da Silva.