UE quer reforçar controlo de fronteiras na Macedónia e na Albânia

Para controlar a onda de refugiados, Bruxelas propõe começar a registá-los ainda antes de chegarem ao espaço comum europeu.

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Família de refugiados na fronteira entre a Macedónia e a Grécia ARMEND NIMANI/AFP

Com os refugiados a chegar às costas do Mediterrâneo a uma velocidade ainda superior do que a do Verão, exercendo uma pressão cada vez maior sobre os países dos Balcãs como a Grécia, a Eslovénia e a Croácia, a Comissão Europeia está a ser tomada por um espírito de urgência, temendo a construção de novos muros. Por isso, em cima da mesa na mini-cimeira europeia de domingo estarão propostas para estabelecer operações de controlo adicionais em países vizinhos que não pertencem à União Europeia, como a Macedónia e a Albânia.

O grande receio em Bruxelas – e também em Berlim, o país que está a receber mais refugiados e que está a ser o motor da política europeia nesta área – é que a situação tensa degenere e comecem a acontecer situações de violência nos Balcãs.

As capacidades gregas estão completamente ultrapassadas – em Lesbos, a situação “está fora de controlo”, diz o El País, citando fontes da UE no local. Há conflitos constantes, entre refugiados e com as autoridades, e as capacidades técnicas e humanas são muito reduzidas, diz a agência europeia de controlo das fronteiras, Frontex. E o número de chegadas não dá sinais de abrandar: 9600 pessoas por dia, nos últimos dias.

Pouco mais de 3% das chegadas de refugiados à Grécia acabam por ser registadas, diz o El País. Por isso, um dos objectivos das operações de controlo adicionais na Albânia e na Macedónia seria o de registá-los também aí. Há também a possibilidade de enviar uma missão da Frontex para a Croácia – país que ainda não faz parte do espaço Schengen, de livre circulação no espaço europeu – por onde já passaram este ano mais de 210 mil refugiados.

Se a Croácia não permitir esta missão da Frontex, seria a Eslovénia, que já faz parte de Schengen, a recebê-la. Aliás, a Eslovénia já pediu ajuda à UE para lidar com o enorme afluxo de refugiados, de há uma semana para cá, depois de a Hungria ter fechado a sua fronteira com a Croácia. Este país passou a canalizar a multidão para a Eslovénia, de onde seguem para a Áustria e, a maior parte, para a Alemanha.

Mais de 47 mil pessoas já cruzaram a fronteira da Croácia com a Eslovénia na última semana e o Governo de Ljublana diz que o país de dois milhões de habitantes é demasiado pequeno e não tem recursos para lidar com tanta gente e está a ponderar todas as hipóteses, inclusivamente a construção de um muro para travar os refugiados, se os líderes europeus não chegarem a acordo para uma abordagem comum a esta crise.

Interrogado na televisão estatal sobre a possibilidade de construir uma vedação ao longo da fronteira, o primeiro-ministro, Miro Cerar, reconheceu que estava em aberto: “Primeiro vamos tentar uma solução europeia. Se perdermos a esperança no domingo, então todas as opções são possíveis, estaremos sozinhos”, afirmou, citado pela Reuters. De acordo com o Ministério do Interior esloveno, construir uma vedação ao longo dos 670 km de fronteira com a Croácia custaria cerca de 80 milhões de euros.

Há ainda a questão de saber o que fazer com todos os refugiados que estão a chegar à Europa. A chanceler Angela Merkel está a atravessar uma onda de insatisfação na Alemanha devido às dificuldades práticas de lidar com a chegada de tantas pessoas – onde as alojar, como arranjar escolas para tantas crianças e vários outros problemas – e está a aumentar a preocupação de se tornarem alvos de ataques de extremistas anti-imigração.

Segundo o jornal britânico The Guardian, Berlim continua a tentar desenvolver um mecanismo de quotas obrigatórias e permanentes para distribuir refugiados – todas as tentativas de o fazer falharam até agora.