Rui Rio desiste de ser candidato às presidenciais

O silêncio de Pedro Passos Coelho pesou na decisão do ex-presidente da Câmara do Porto de não apresentar candidatura.

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Fernando Veludo/NFACTOS

Rui Rio está fora da corrida à Presidência da República, apurou o PÚBLICO. Ao fim de vários meses de reflexão, a ponderar os prós e os contra de uma candidatura, o ex-presidente da Câmara do Porto opta por não ir a jogo contra Marcelo Rebelo de Sousa, afastando o seu regresso à vida política activa, como chegou a admitir.

A decisão surge a menos de uma semana do antigo presidente do PSD Marcelo Rebelo de Sousa ter anunciado a sua candidatura a Belém, em Celorico de Basto. Ao longo da última semana, Rui Rio esperou por um sinal vindo de Pedro Passos Coelho que simbolizasse o apoio à sua candidatura, mas o líder do PSD optou por ter uma posição de equidistância relativamente aos candidatos presidenciais.

Se tivesse anunciado a sua candidatura no início do Verão, como muitos defendiam, Passos estaria disponível para o apoiar, mas a determinação de Rio em adiar uma decisão para depois das legislativas comprometeu definitivamente esse apoio. Agora, o PSD está maioritariamente com Marcelo e Passos sem uma maioria confortável no Governo não arriscará perder as eleições presidenciais.

O último fim-de-semana foi de contactos intensos com figuras do partido e fora do partido. Rio jogou tudo porque ainda acreditou que ainda havia espaço para uma candidatura liderada por si, já que do seu ponto de vista iria buscar votos não só àqueles que não se revêem na candidatura de Marcelo, mas também a algum eleitorado da esquerda.

A decisão só agora foi tomada, mas há muito que no seu inner circle se ouviam vozes a dizer que timing de Rio para apresentar uma candidatura já tinha passado, mas o ex-presidente da Câmara do Porto, que chegou a sonhar disputar a liderança do PSD, num cenário de derrota de Passos, manteve sempre a intenção de avançar e chegou a escrever um texto no Jornal de Notícias onde explicava a razão pela qual adiava o anúncio da sua decisão depois das eleições legislativas.

Sem o apoio de Passos e com as estruturas do partido maioritariamente ao lado do professor e agora candidato à Presidência da República, Rui Rio percebeu que não tinha condições para avançar e mesmo que o fizesse muito dificilmente conseguiria passar à segunda volta, tendo em conta a popularidade de Marcelo. No dia em que se realizaram as eleições legislativas, o PÚBLICO e a TVI divulgaram uma sondagem que colocava a candidatura de Marcelo à Presidência muito próximo da maioria absoluta logo à primeira volta, com larga vantagem sobre todos os nomes que, à esquerda e à direita, têm vindo a ser ponderados para as presidenciais de Janeiro.