Festa literária de Óbidos abre hoje ao som de Vinicius de Moraes

Na Vila Literária de Óbidos reúnem-se durante dez dias 200 autores para “conjugar o verbo literar”. Hoje será lembrada a arte de Vinícius de Moraes nas vozes das cantoras Miúcha e Georgina, filha do poeta.

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Miúcha e Georgiana de Moraes MARCELO BORGONGINO

Tertúlias, seminários, conferências, teatro, exposições, concertos, performances, sessões de poesia: Óbidos quer, a partir de hoje e durante dez dias, justificar de forma plena o epíteto de Vila Literária que conquistou em 2013 e quer ampliar até onde os horizontes lhe permitirem. No programa diz-se logo, a abrir: “Em 10 dias de pura ficção 200 autores de todo o mundo reúnem-se em Óbidos uma Vila medieval Portuguesa para conjugar o verbo literar.” Quando se fala aqui de autores, fala-se de escritores. Porque criadores em sentido lato serão 459 (56 são ilustradores). Sessões literárias haverá 154, conferências serão 37, espectáculos 36 e exposições 14. Números que procuram mostrar aos visitantes a ambição da iniciativa e também dos seus fundamentos.

Folio, assim se chama o Festival Literário Internacional de Óbidos, terá até dia 25, em vários espaços da vila, iniciativas para todos os gostos, umas gratuitas e outras pagas (as mesas de autores são a 5 euros e a maioria dos concertos são a 12, por exemplo), com a intenção de criar “relações improváveis de humanização, compreensão e comunidade”, como escreve Humberto da Silva Pereira, presidente da Câmara de Óbidos, no texto onde justifica as razões do festival.

O concerto de abertura, com entrada livre, realiza-se hoje às 21h30, na Tenda Concertos da vila e homenageia Vinicius de Moraes. As cantoras Miúcha (irmã de Chico Buarque) e Georgiana de Moraes (filha de Vinicius), que acompanharam o poeta e músico em muitos concertos, serão as protagonistas.

“É uma coisa muito importante e uma coincidência, porque no Festival Literário de Paraty o primeiro homenageado foi justamente Vinicius de Moraes”, diz Miúcha. Músicas e histórias andarão a par, numa recordação do poeta e músico. O que é mais importante reter dele, hoje? “É difícil dizer. A obra dele é tão grande, poesia, teatro, música, cinema… O mais importante era a personalidade de Vinicius, que incluía tudo isso e a pessoa humana muito especial que ele era. Principalmente pela maneira de agir, de ser, era uma pessoa muito sincera, muito coerente.”

Georgiana diz, por seu turno, que o momento “não podia ser melhor”, tal como o local. “Vai ser incrível cantar o Vinicius aqui, porque Portugal era um pouco a segunda casa dele. E ele tentou muito comprar uma casa aqui em Óbidos, mas na época não conseguiu. Acho que as casas eram classificadas. Estive um bom tempo com ele, em Portugal, e si o quanto ele gostava daqui. Num lugar como este, com feira literária, com escritores, com música, Vinicius é a pessoa perfeita.” Sobre a obra de Vinicius, e a herança que dela fica, Georgiana diz. “Essas músicas são clássicos que vão ficar para a vida inteira, como as de Cole Porter. O interessante é que ele tem muitos estilos: as músicas que fez com Jobim, com Baden Powell, com Toquinho, são bem diferentes entre si. Ele tinha uma capacidade de renovação, de reinvenção, que era muito estimulante.”

Até dia 25, em matéria de concertos, quem for a Óbidos poderá ainda ouvir António Zambujo e Mayra Andrade a cantarem Caetano Veloso (dia 16, 22h30), Ensemble de Jazz de Óbidos (dia 17, 16h), Kalaf e Toty Sa’Med (dia 17, 19h), Filipe Raposo, António Jorge Gonçalves e Ondjaki (dia 17, 21h30), os Criatura (dia 18, 19h), Celso e Pedro Viáfora (dia 19, 20h), João Afonso (dia 20, 19h), Manuel Freire (dia 21, 21h), Oquestrada (dia 21, 21h), Gisela João (dia 22, 22h30), Moreno Veloso e Tomás Cunha Ferreira (dia 23, 22h30), Cristina Branco e Mário Laginha Trio com canções de Chico Buarque (dia 24, 22h30) e Real Combo Lisbonense (dia 25, 18h).