ModaLisboa: como criar imagens fortes com cabelos, libélulas e flores

Joalharia vestível candidata ao Instagram e o Milagre de Alexandra Moura num dia de Outono cinzento, o segundo da 45.ª edição do evento.

Fotogaleria
Olga Noronha Bruno Lisita
Fotogaleria
Olga Noronha Bruno Lisita
Fotogaleria
Olga Noronha Bruno Lisita
Fotogaleria
Olga Noronha Bruno Lisita
Fotogaleria
Olga Noronha Bruno Lisita
Fotogaleria
Olga Noronha Bruno Lisita
Fotogaleria
Valentim Quaresma Bruno Lisita
Fotogaleria
Valentim Quaresma Bruno Lisita
Fotogaleria
Valentim Quaresma Bruno Lisita
Fotogaleria
Valentim Quaresma Bruno Lisita
Fotogaleria
Valentim Quaresma Bruno Lisita
Fotogaleria
Valentim Quaresma Bruno Lisita
Fotogaleria
Ricardo Andres Bruno Lisita
Fotogaleria
Ricardo Andres Bruno Lisita
Fotogaleria
Ricardo Andres Bruno Lisita
Fotogaleria
Ricardo Andres Bruno Lisita
Fotogaleria
Bruno Lisita
Fotogaleria
Bruno Lisita
Fotogaleria
Nair Xavier Bruno Lisita
Fotogaleria
Saymyname Bruno Lisita
Fotogaleria
Saymyname Bruno Lisita
Fotogaleria
Saymyname Bruno Lisita
Fotogaleria
Miguel Vieira Bruno Lisita
Fotogaleria
Miguel Vieira Bruno Lisita
Fotogaleria
Miguel Vieira Bruno Lisita
Fotogaleria
Miguel Vieira Bruno Lisita
Fotogaleria
Miguel Vieira Bruno Lisita
Fotogaleria
Bruno Lisita
Fotogaleria
Bruno Lisita
Fotogaleria
Bruno Lisita
Fotogaleria
Bruno Lisita
Fotogaleria
Bruno Lisita

O poder de um modelo-estátua ou de um modelo em movimento - os designers que se apresentam na 45.ª ModaLisboa (e, na verdade, em qualquer edição deste evento ou em qualquer passerelle) aspiram a criar imagens. E esperam que elas se propaguem. Sábado, com a chuva a molhar Lisboa, a jovem Olga Noronha e o consagrado Valentim Quaresma foram dois versos da medalha, joalharia vestível de imagens fortes candidata ao Instagram. A noite floriria depois com Alexandra Moura e a sua versão doMilagre das Rosas.

Valentim Quaresma, conhecido colaborador da veterana Ana Salazar e com um percurso individual e mercado em Portugal e fora dele, mostrou Habitat na cálida sala de desfiles do Pátio da Galé. Evoluiu naturalmente da joalharia de autor para algum vestuário e o algodão e o neoprene envolveram homens e mulheres que usavam libélulas, lagostas turquesa e coral vermelho. As imagens produzidas são essenciais para o cumprir da função da ModaLisboa, evento prestes a cumprir 25 anos e que, tendo sido um dos primeiros do género na Europa, continua a realizar-se num mercado periférico: divulgar as colecções dos criadores portugueses.

O projecto de Olga Noronha, que se estreou na ModaLisboa em Outubro de 2013, está ligado à sua identidade, seja pelo trabalho de família com próteses médicas ou pela cor dos cabelos que vestiram, literalmente e em parte à sua imagem, as modelos feitas estátuas nos Paços do Concelho. A sua joalharia medicamente prescrita desta vez foi uma instalação

Hair

lucination em que havia saias de madeixas, ponchos entrançados e ténis customizados para a Reebok que estão a leilão online na Rivera Leilões para reverter a favor do Instituto Português de Oncologia. Causas e imagens. Candidata a “desfile” mais instagramado do dia, transformou o espaço numa Atlântida colorida e num espaço de diferença.

Dois desfiles de joalharia num dia com mais sete marcas e que terminaria com a linguagem distintiva de Alexandra Moura, um unissexo por vezes indiferente a estações – estamos no Outono a ver o que será a próxima Primavera/Verão e há casacos e materiais densos, mas também a vontade da designer de que “floresçam mais rosas fora de época”. O seu negro não deixou de aparecer com pele rosa nú gravada com, claro, flores, laços e restos, um motivo costurado de uma meia-elipse a dizer que nestas roupas largas e naquele ventre florido sob tule rosa que encerrou o desfile só são permitidas segundas leituras.

Uma colecção que encerrou um dia que começara com Nair Xavier na plataforma de micromarcas Lab com o masculino em tons terra e ligações a África, seguido do urbano de transparências de Ricardo Andrez (também no Lab). Os jogos de género e geometria de calções de Catarina Sequeira da SayMyName e o Effortless de Ricardo Preto a aproximar-se do monocromático escorreito de mulheres que quis andróginas mas vestiu de azuis e nudes femininos. O dia de desfiles, entre a chuva que molhou a Baixa lisboeta e com os cálidos interiores do Pátio da Galé, contou ainda com as viagens de Christophe Sauvat da Comporta para o mundo e com Mondrian, de Miguel Vieira, que o designer nortenho já tinha apresentado em Milão no final de Setembro. 

O público da ModaLisboa continuou a acorrer ao evento com as vagas habituais: salas cheias à noite, primeiros desfiles menos lotados e muito interesse pela área social onde os vários patrocinadores entretêm os visitantes com brindes e jogos. Até domingo à noite continua aberta ao público a pop-up store Wonder Room e o primeiro desfile do dia, a colecção de Verão de Nuno Gama agendada para as 14h na Marinha, junto à Praça do Município, prevê estar parcialmente acessível ao público - consoante as condições climatéricas.