Misericórdias disponíveis para acolher "uma boa parte" dos refugiados

“Pusemos as pessoas à frente do dinheiro. Veremos como isso se faz, o dinheiro sempre se arranja", diz Manuel de Lemos.

O presidente da UMP adiantou que, neste momento, está a ser feito um levantamento da disponibilidade de cada instituição
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O presidente da UMP adiantou que, neste momento, está a ser feito um levantamento da disponibilidade de cada instituição Rita Baleia

O presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), Manuel de Lemos, disse nesta quinta-feira que as misericórdias estão em condições de acolher grande parte dos refugiados que Portugal vai receber.

“Eu diria que nós estamos em condição de acolher uma boa parte — não queria quantificar em números — dessas famílias que os governos e a União Europeia entendam enviar para Portugal”, disse aos jornalistas Manuel de Lemos, à margem da cerimónia de homenagem ao primeiro-ministro com o grau de mestre maior pela Confederação Internacional das Misericórdias.

O presidente da UMP adiantou que, neste momento, está a ser feito um levantamento da disponibilidade de cada instituição, mas sublinhou que as misericórdias vão “contribuir decisivamente para acolher” os refugiados que vão chegar a Portugal.

O mesmo responsável afirmou que na próxima semana a UMP já terá números definitivos sobre a capacidade de acolhimento. “A questão financeira não foi objecto de preocupação” das misericórdias, diz Lemos. “Pusemos as pessoas à frente do dinheiro. Veremos como isso se faz, o dinheiro sempre se arranja.”

Segundo anunciou na quarta-feira o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, Portugal vai receber 3074 refugiados. A ministra da Administração Interna, Anabela Rodrigues, já disse que os primeiros podem começar a ser acolhidos em Portugal em Outubro.

Chegada de refugiados a Penela foi adiada
Entretanto, a chegada de 20 refugiados sírios a Penela, distrito de Coimbra, prevista para sexta-feira, vai ser adiada devido a questões burocráticas, disse à Lusa fonte do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

“Estamos em articulação com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados e sabemos que estão ainda a ser resolvidas questões burocráticas com as autoridades do Egipto, onde se encontram” há vários meses, explicou fonte do gabinete de comunicação.

Para já, adiantou, não existe data prevista para a vinda dos refugiados, que vão ser instalados no município de Penela, no âmbito de um projecto de acolhimento que envolve a autarquia local, a Fundação ADFP — Assistência para o Desenvolvimento e Formação Profissional, de Miranda do Corvo, e o SEF.

As quatro famílias sírias vão ser alojadas em seis apartamentos novos de tipologia T3 e T4, propriedade do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, mas actualmente geridos pela Câmara de Penela.

“A renda das fracções onde as pessoas vão ser instaladas, bem como o investimento no mobiliário, é assegurada pela Fundação ADFP, instituição que está a trabalhar connosco, no âmbito da candidatura apresentada, que é suportada maioritariamente por fundos comunitários”, explicou à Lusa o presidente do município, Luís Matias (PSD).

"A grande maioria da população manifesta-se de forma muito positiva quanto a este gesto de solidariedade de um município pequeno como Penela", disse.

O presidente da Fundação ADFP de Miranda do Corvo, responsável pelo projecto, iniciado no primeiro trimestre de 2014, disse à agência Lusa que este é um contributo para responder às necessidades dos refugiados, que chegam com documentação legal para circular no espaço europeu. "Vamos receber famílias e casais, com formação académica, que vêm com crianças, algumas bebés. A ideia é trazê-los e permitir que aprendam a língua, os nossos hábitos, se integrem e sejam incluídos na nossa vivência", frisou Jaime Ramos.

O dirigente, antigo governador civil de Coimbra, adiantou que, ao fim de 10 meses, período de acolhimento, os refugiados devem estar preparados para ter a sua própria actividade profissional para serem independentes e autónomos.