Horário de professores da Madeira reduzido às 35 horas

Ano lectivo na região autónoma começa com menos horas semanais para o pessoal docente e com a suspensão da avaliação externa do desempenho, medidas que já são aplicadas no continente.

Foi no tempo da ministra Maria de Lurdes Rodrigues que também foram decretados serviços mínimos para os professores em greve
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Tal como acontece no continente também os professores da Madeira terão horário de 35 horas nelson garrido

Os professores na Madeira vão começar o próximo ano lectivo com uma redução do horário de trabalho semanal de 40 para 35 horas, e com a avaliação externa suspensa.

As medidas, propostas pela Secretaria Regional de Educação (SRE) às organizações sindicais, estão em linha com o que já acontece nas escolas do continente, e serão oficializadas nesta segunda-feira, através da assinatura do contrato colectivo de trabalho.

O gabinete do secretário regional de Educação, Jorge Carvalho, justifica estas alterações com a necessidade de contar com professores motivados nas salas de aula, e vai criar um grupo de trabalho para encontrar uma metodologia de avaliação do desempenho que seja mais consensual.

O Sindicato dos Professores da Madeira (SPM) lembrou ao PÚBLICO que estas alterações surgiram de reivindicações apresentadas pelos professores junto da SRE, esclarecendo que a redução de horários não irá reflectir-se no número de aulas dadas. “A componente lectiva não sofrerá alterações, pois esta redução de cinco horas só é aplicada na componente de trabalho individual”, diz Francisco Oliveira, coordenador do SPM.

Na prática, continua, os professores vão trabalhar menos apenas fora da escola, onde a preparação de aulas e correcção de exames é habitualmente feita, e não é “totalmente contabilizada”.

Sobre a suspensão da avaliação externa dos professores (que passa pela observação de aulas), é também uma boa notícia para os sindicatos. A SRE ressalva que não se trata de suspender a avaliação como um todo, mas apenas esta componente do actual modelo em vigor, que nunca foi bem recebida pela classe docente.

A ideia de Jorge Carvalho é avaliar e analisar os resultados durante o próximo ano, para que seja encontrada uma alternativa que vá ao encontro dos objectivos da secretaria regional e seja do agrado dos sindicatos.

O compromisso é ter um novo modelo a vigorar no ano lectivo de 2016/17, mas a SPM já disse que as diferenças entre professores e SRE sobre este particular são tantas, que será muito difícil chegar a consensos.