Vão estudar lá fora. Querem dizer "até já" mas sabem que o futuro pode morar além-fronteiras

A Universidade do Porto organizou esta terça-feira um “almoço de despedida” para os alunos que vão estudar no estrangeiro no próximo ano lectivo.

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São 1100 estudantes que vão estudar em instituições de cinco continentes Manuel Roberto

Com Julho já avançado, não se esperaria encontrar tantos estudantes no pátio interior da reitoria da Universidade do Porto (UP). Porém, o espaço não poderia estar mais sobrelotado. Centenas de jovens munidos de uma bolsa preta com o logótipo da universidade dão agora início a uma nova etapa das suas vidas académicas, lançando-se para além-fronteiras. Vão-se espalhar por 39 países, uma oportunidade "imperdível", quem sabe o local do futuro emprego, esperam alguns.

Ao abrigo do programa Erasmus e de outros intercâmbios de mobilidade internacional, os alunos portugueses foram até à reitoria da UP para dizer um “até já”, antes da partida. E para lhes ser dada a certeza que a instituição está aberta a qualquer tipo de questões e apoios: antes, durante e após a estadia curricular no estrangeiro.

A sopa, o grão-de-bico, a massa e o churrasco fizeram as delícias dos presentes, numa refeição tipicamente portuguesa, embalada pelos acordes do Quim Barreiros ou do fado, para levarem Portugal nos sentidos.

Os 1100 estudantes da UP que em breve vão estudar no estrangeiro por um semestre ou um ano lectivo inteiro vão estar dispersos por cinco continentes e 39 países. Inês Ferreira e Mafalda Meireles vão frequentar o 1º ano do Mestrado de Química em Vigo, Espanha. A possibilidade de estudarem no estrangeiro partiu do convite de uma professora, e no momento, a resposta revelava-se óbvia. “Nem sequer pensamos em recusar, aceitamos logo”, diz Mafalda. Ambas estão integradas num projecto académico, que une a Faculdade de Ciências da UP com a Universidade de Vigo, logo as perspectivas de ficarem a trabalhar em Espanha não são totalmente ignoradas.

Também em Espanha, mais propriamente em Saragoça, estará no próximo ano lectivo Duarte Fernandes. O jovem de 21 anos é membro do Erasmus Student Network Porto (ESN), um grupo de voluntários que ajuda os alunos internacionais a integrarem-se em Portugal. Estudar fora do país era uma vontade antiga e mesmo estando vinculado com a Faculdade de Economia da Universidade do Porto, se gostar do destino Saragoça pode ser uma “estadia prolongada”.

A viagem de Paula Pinto e Mariana Silva será mais longa do que a maioria dos colegas da UP. A China vai ser o próximo local de estudo destas estudantes de Engenharia Mecânica e a escolha prendeu-se com os padrões de desenvolvimento do país. “A China é uma potência económica em desenvolvimento e na nossa área, os avanços tecnológicos são notórios”, explica Mariana. “São mais práticos do que nós e têm boas oportunidades de emprego”, remata Paula, quando compara a cultura portuguesa com a chinesa.

De malas e bagagens feitas para a Polónia, Cláudia Aragão e Diogo Moreira, do curso de Ciências da Comunicação, partem com a sensação de que a cultura deste país e o frio terão peso na “aventura”. A língua não será um entrave, desde que o inglês esteja apurado. “No jornalismo, pode ser complicado com as entrevistas numa língua diferente da nossa. Mas desde que seja possível trabalhar com o inglês, está tudo bem”, refere Cláudia.

O curso de Relações Internacionais é propício aos programas de mobilidade internacional. Quem o diz é Joana Soares e Edyta Swietlicka, de viagem marcada para Berlim. As duas querem ficar fluentes em alemão, porque “é uma língua que pode abrir os horizontes” junto das entidades empregadoras. O nome Edyta imediatamente remete para a Europa de Leste: a jovem é polaca, mas desde o primeiro ano de faculdade que estuda na Universidade do Porto.

Maria de Fátima Marinho, vice-reitora da UP para as Relações Externas e Cultura, não esconde o agrado de ver a “casa cheia”, numa universidade que proporciona as condições necessárias para os alunos estudarem lá fora mas que, diz, também sabe acolher. “É uma das prioridades da universidade permitir o conhecimento de novas formas de ensinar, aprender e estar. E não é apenas a aprendizagem curricular. O respeito pelas crenças e ideias dos outros torna a diversidade cultural enriquecedora junto dos estudantes”, afirma.

Texto editado por Ana Fernandes