Ataque atribuído ao Estado Islâmico mata 30 voluntários na Turquia

Ataque aconteceu na cidade curda de Suruc, perto da fronteira com a Síria e as primeiras suspeitas recaem sobre o Estado Islâmico. Um grupo de jovens planeava deslocar-se a Kobani, no território sírio, em missão humanitária.

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O ataque poderá ter sido cometido por um bombista suicida Ozcan Soysal/Reuters

“Apelamos a todos para se unirem e permanecerem calmos face a este ataque terrorista que atingiu a unidade do nosso país”, pediu o ministro do Interior da Turquia, através de um comunicado partilhado esta segunda-feira. O ataque vitimou pelo menos 30 pessoas e feriu outras cem, mas o ministro acredita que o “número de mortos aumentará nas próximas horas”.

Os meios de comunicação estão a avançar que se tratou, efectivamente, de um ataque suicida e as autoridades vêem esta suspeita como a mais óbvia. À cadeia televisiva Al-Jazeera, um representante de um partido curdo disse que o corpo de uma mulher bombista suicida estava entre os 30 mortos, mas essa informação ainda não foi oficialmente confirmada. As primeiras suspeitas apontam para um ataque da autoria do grupo terrorista do Estado Islâmico, segundo as informações prestadas por uma fonte do Governo à agência Reuters.

Abdullah Ciftci, governador do distrito de Suruc, partilha da mesma opinião. “O facto de se tratar de um ataque suicida aumenta as probabilidades da responsabilidade do Estado Islâmico”, disse televisão britânica BBC, confirmando que as autoridades suspeitam que terá mesmo sido uma mulher, de cerca de 18 anos de idade, a explodir-se no centro cultural da cidade.

Suruc é uma cidade curda, situada no sudeste do país e está a cerca de 10 km da fronteira com a Síria. No centro cultural de Amara estavam reunidos cerca de 300 voluntários, maioritariamente estudantes, turcos e curdos, da organização de juventude Federation of Socialist Youth Associations. Tencionavam deslocar-se até à cidade curda de Kobani, já em território sírio, recuperada no início do ano ao Estado Islâmico e palco de um dos “piores massacres” dos jihadistas, no passado mês de Junho.

“Jovens turcos e curdos têm vindo a cruzar [a fronteira com a Síria] para Kobani, onde tinham três ou quatro dias de actividades planeadas”, informou à Reuters Pervin Buldan, do partido pró-curdo HDP. As actividades estariam ligadas a trabalhos de ajuda humanitária e apoio na reconstrução e limpeza das casas de Kobani. Segundo a Al-Jazeera, há mais de 20 mil refugiados sírios nos acampamentos que circundam Suruc e a fronteira entre Turquia e Síria.

Segundo a BBC, os instantes que se seguiram ao ataque foram de “pânico generalizado” em Suruc. As lojas fecharam e os comerciantes saíram das ruas, com receio de um segundo ataque, situação que foi equacionada pela polícia local. Os habitantes de Suruc foram aconselhados pelas autoridades a ficarem longe das multidões e dos espaços habituais de ajuntamento pessoas, como praças ou mercados.

O Presidente da Turquia, Recep Erdogan, que se encontra em Nicósia, no Chipre, já reagiu aos acontecimentos em Suruc e “condenou aqueles que conduziram esta brutalidade”. Citado pela Reuters, o chefe de Estado turco disse que o país fará tudo para defender as fronteiras do país e alertou contra os perigos do “terror sem religião, país ou raça”.
Texto editado por Ana Gomes Ferreira