Um milhão de portugueses voltaram ao cinema desde o início do ano

Para ver Velocidade Furiosa 7, As Cinquenta Sombras de Grey, mas também Mundo Jurássico ou Capitão Falcão. É a primeira vez em cinco anos que aumenta o número de espectadores nas salas portuguesas.

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Nos primeiros seis meses de 2015, foram ao cinema 6,6 milhões de espectadores João Matos

Pela primeira vez em cinco anos, o número de espectadores nos cinemas portugueses aumentou no primeiro semestre. E recuperou-se 1,1 milhão de espectadores em relação a 2014, o pior ano numa década de idas ao cinema em quebra. Velocidade Furiosa 7 e As Cinquenta Sombras de Grey, até agora os dois filmes mais vistos de 2015 em Portugal, juntaram-se a Os Vingadores: A Era de Ultron e ao mais recente Mundo Jurássico para fazer com que 6,6 milhões de pessoas acorressem às salas, fazendo também crescer as receitas de bilheteira.

Os dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) mostram que nos primeiros seis meses do ano se registou um crescimento de 20,2% no número de bilhetes vendidos em Portugal em relação ao mesmo período de 2014, bem como uma subida de 19% nas receitas brutas de bilheteira.

Nos cinco anos anteriores, a tendência foi sempre de quebra nas idas ao cinema no primeiro semestre – em 2010 os primeiros seis meses do ano tiveram 7,8 milhões de espectadores, em 2011 houve uma quebra de 400 mil, em 2012 eram já apenas 6,1 milhões e em 2013 os números caíram para 5,5 milhões. E de 2014 para 2015 os números sobem, com as contas do ICA a identificar 6,6 milhões de espectadores nas salas portuguesas.

Esta recuperação de 1,1 milhão de espectadores e de 5,4 milhões de euros de receitas brutas representa uma subida animadora depois de na última década os cinemas portugueses terem estado invariavelmente em perda acentuada de pessoas nas salas – cinco milhões de espectadores desapareceram dos cinemas desde 2004, de acordo com as estatísticas do ICA.

Os filmes mais vistos e aqueles que mais contribuíram para a subida são, sem surpresas, blockbusters. O primeiro mantém-se desde a sua estreia em Abril como o mais popular do ano – o sétimo capítulo da série Velocidade Furiosa, à boleia da expectativa gerada pela morte de um dos protagonistas, Paul Walker, e da legião de fãs da saga centrada no universo do street racing com 831 mil espectadores -, seguido do primeiro filme de fenómeno de massas do ano, a adaptação cinematográfica dos livros de E.L. James, As Cinquenta Sombras de Grey, que até ao final de Junho agregou perto de 501 mil espectadores.

No mesmo mês de Abril estreou-se o segundo capítulo de Os Vingadores, a equipa de super-heróis da Marvel que em 2012 se tornou o terceiro filme mais visto do mundo (com mais de 1300 milhões de euros de receitas de bilheteira) de sempre, a acumular 258 mil espectadores. E já em Junho as contas voltaram a crescer com o regresso ao Parque Jurássico dos anos 1990 com o terceiro capítulo da série, Mundo Jurássico, que em apenas 20 dias chamou mais de 243 mil pessoas às salas. O top ten de metade de 2015 preenche-se com a animação de Home: A Minha Casa, Cinderela, com o concorrente aos Óscares Sniper Americano, Paddington, Insurgente e Divertida-mente.

A maior parcela das estreias no mercado português pertence a produções europeias (88 filmes) mas os filmes mais rentáveis são as 65 produções americanas, que renderam 25,5 milhões de euros nas bilheteiras em comparação com os 5,6 milhões do bolo europeu. Dele faz parte o cinema português, do qual se estrearam 11 filmes - embora tenham sido exibidos 59 filmes portugueses, número engrossado pelas estreias e continuidade em sala ou no circuito de exibição de filmes estreados em 2014 como Virados do Avesso, de Edgar Pêra, Os Maias – Cenas da Vida Romântica, de João Botelho, ou reposições de clássicos como Os Verdes Anos, de Paulo Rocha. O mais visto em sala neste primeiro semestre foi Capitão Falcão, de João Leitão, com 27.309 espectadores e uma receita bruta de bilheteira de 129 mil euros.