Governo da Madeira fecha embaixada em Lisboa

Falta de utilização do espaço e poupança anual de 100 mil euros justificam a decisão de encerrar a Representação Permanente da Madeira em Lisboa.

O projecto de revisão da Constituição é de Alberto João Jardim
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A embaixada em Lisboa foi uma vontade antiga do governo de Jardim daniel rocha

O Governo regional da Madeira decidiu encerrar a Representação Permanente e Lisboa (REPER), justificando a decisão com a “falta de pertinência” do espaço e a poupança de 100 mil euros anuais.

A decisão foi divulgada neste sábado, pelo gabinete do secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Europeus, Sérgio Marques, e será concretizada logo que os “prazos processuais” sejam cumpridas.

“A constatação da falta de pertinência para a existência de uma embaixada madeirense em Lisboa é consolidada pela poupança de cerca de 100 mil euros anuais que este encerramento proporcionará”, justifica Sérgio Marques, lembrando que a utilização daquele espaço era praticamente inexistente.

O imóvel, onde funciona também a Casa da Madeira em Lisboa, fica situado no Restelo e foi adquirido pelo executivo madeirense em 2007 ao Instituto Marítimo-Portuário. Custou um milhão e cem mil euros, mas as obras de requalificação e adaptação da vivenda e o valor do projecto de arquitectura aumentaram o valor do investimento para valores próximos dos dois milhões de euros.

A ideia da REPER era proporcionar aos membros do Governo regional um local de trabalho, durante as deslocações a Lisboa. Mas na prática a utilização foi reduzida. Com excepção do dia da inauguração, com a presença do então vice-presidente do Governo Regional, João Cunha e Silva, e da apresentação de um estudo encomendado por Alberto João Jardim que visava demonstrar que a Madeira não era despesista, não se conhecem outras utilizações.

Em relação à Casa da Madeira, que foi presidida por Hugo Velosa, deputado do PSD-Madeira na Assembleia da República, e depois por Cláudia Monteiro de Aguiar, que também era deputada em São Bento, mas agora está no Parlamento Europeu, Sérgio Marques não apresenta soluções mas promete colaboração.

“Este encerramento pode ser visto como oportunidade para a Associação que dirige a mesma [Casa da Madeira], tendo em vista a identificação de um local mais adequado para a dinamização daquela estrutura associativa”, explica o gabinete do secretário, garantindo a vontade do governo madeirense em continuar a colaborar com aquela associação.

A embaixada em Lisboa foi uma vontade antiga do governo de Jardim. Já no final da década de 90, o secretário regional da Economia, Pereira de Gouveia, negociou a aquisição de um andar no Parque Expo. Na altura falou-se numa verba a rondar os 700 mil euros, num imóvel que não necessitava de obras de adaptação.

O negócio acabou por não avançar, porque o Governo regional considerou o espaço demasiado grande, para o que era pretendido.

A criação da REPER nunca foi consensual na Madeira, com a oposição a acusar Jardim de ter adquirido uma “casa de férias” em Lisboa, para juntar às duas vivendas que o Governo regional tem junto à praia do Porto Santo, que eram utilizadas para férias de membros do executivo madeirense, incluindo Jardim. Estas duas vivendas vão ser vendidas pelo Governo da Madeira, de acordo com o anunciado por Miguel Albuquerque, presidente do executivo regional.